domingo, fevereiro 13, 2011
aiku VI
aiku V
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
o amor é monótono
Talvez seja estranha a minha maneira de ver o amor, mas vejo-o assim, “monótono” ou seja, amando sempre. Talvez por não ser uma pessoa violenta. Talvez por pensar que é assim que as pessoas gostam de ser tratadas. Talvez esteja enganado. Mas que fazer? Adoro fazer os outros felizes porque não hei-de querer fazer felizes as mulheres a quem amo?
Na verdade sempre pensei que as mulheres gostam é que as façam sofrer, que as façam sentir inseguras, mas também sempre disse que eu não o consigo fazer. Quando se ama, ama-se e ponto final.
Também penso que amar não é anularmo-nos enquanto indivíduos, não quero que pensem isso. Amar é manterem, os dois, a sua própria personalidade, formando uma terceira que é comum aos dois.
terça-feira, dezembro 28, 2010
paguem-me as multas a mim também
Ontem, estava a ver um telejornal e entre as notícias sobre a crise financeira que vivemos e as desgraças humanas e naturais que os noticiários tanto gostam de explorar, uma deixou-me boquiaberto e ao mesmo tempo revoltado e preocupado.
Boquiaberto – com a notícia em si mesma: “o estado vai passar a pagar as multas dos partidos políticos.”
Cada vez mais, neste país, a realidade se parece com a ficção; cada vez mais me parece que estamos a viver O triunfo dos porcos. Para os mais distraídos, O triunfo dos porcos é um livro de George Orwell, com o título original Animal farm e editado pela primeira vez em 1945. Existem diversas traduções do título (e do livro), mas parece-me para o caso que esta tradução assenta melhor.
Não é difícil encontrar informação na Internet sobre o livro, mas curioso e irónico é verificar que faz parte das recomendações de leitura do programa de Português do 9º ano de escolaridade.
Citado no site: http://www.wook.pt/ficha/o-triunfo-dos-porcos/a/id/65444
“Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado no programa de português do 9º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula - Grau de Dificuldade II.
Publicado pela primeira vez em 1945, O Triunfo dos Porcos transformou-se na clássica fábula política deste século. Acrescentando-lhe a sua marca pessoal de mordacidade e perspicácia, George Orwell relata a história de uma revolução entre os animais de uma quinta e o modo como o idealismo foi traído pelo poder, pela corrupção e pela mentira.
O Triunfo dos Porcos de George Orwell”
Revoltado – não me parece muito difícil perceber porquê, mas uma vez mais para os mais distraídos, depois de acabar de ouvir falar sobre a crise financeira, onde os salários vão baixar efectivamente ou virtualmente através do aumento de impostos, é naturalíssimo ficar revoltado e ofendido com quem tem o poder de decisão neste país.
Uma vez mais a realidade aproxima-se da ficção: “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.”
Preocupado – com o futuro. Onde vamos parar?
Não sou estúpido ao ponto de dizer que, antes de haver a revolução na “quinta”, estávamos melhor, mas sou suficientemente inteligente para perceber que as diferenças são cada vez mais ténues. Arriscaria quase a dizer que a grande diferença é ainda poder, mais ou menos, usufruir da liberdade de expressão.
Mas outras preocupações perturbam a minha paz de espírito.
Eu sou um defensor da utilização dos transportes públicos que uso autonomamente desde os meus dez anos de idade. Estes são um óptimo barómetro para medir o mal-estar de um povo. Claro que os nossos políticos não usam transportes públicos e quando digo políticos refiro-me principalmente aos “nossos” deputados. Passo então a escrever algumas frases ouvidas nos transportes públicos, que sintetizam o sentir de um povo (por decência, pudor ou falta de coragem, decidi não colocar textualmente alguns dos epítetos com que são premiados os políticos deste país).
“É tudo uma cambada de ladrões.”
“A merda é a mesma, mudaram foram as moscas.” ou “A pia é a mesma, mudaram foram os porcos.”
“Era pôr uma bomba no parlamento e mandá-los a todos pelo ar.”
“São todos uns filhos da p***, querem é ir para lá mamar.”
E a minha preferida, talvez porque me fazer lembrar a aldeia de Asterix e Obélix:
“O pessoal juntava-se à porta do parlamento e quando os deputados estivessem a sair, um gajo dava-lhes um arraial de porrada com cacetes, à moda antiga. A ver se eles não atinavam logo dos cornos! Começavam logo a cagar fininho.”
Para terminar, enquanto português sinto vergonha de ter como deputados seres tão indescritíveis como aqueles que estão no parlamento e com quem eu não me identifico. Borrava a minha cara com merda cada vez que votasse em alguma coisa da qual o principal beneficiado fosse eu ou o meu partido! Isso lembra-me a questão: se a maioria dos votos numa eleição forem brancos, como é que será depois?
Se fosse como esta gente criava um partido e criaria benefícios só para quem fosse “mais animal que os outros”. Ah, pois! Eles já fizeram isso.
domingo, dezembro 26, 2010
quem é que anda aí?
segunda-feira, agosto 16, 2010
mundo virtual
por uma inteligência colectiva
Na consciência de que o termo pós-moderno é controverso no seu significado e pertinência, afirmo também que é um termo de uso corrente. Partindo desta tomada de consciência e tendo como enfoque a afirmação do primeiro parágrafo, acredito que a mesma não é correcta.
Numa atitude de total liberdade de discurso, direi que o pós-modernismo é uma espécie de renascimento onde, para além do ecletismo, reina uma apropriação/recriação do que já existe. É claro que faço esta afirmação e respectivas caracterizações, porque me agrada pensar desta forma. Pensar no indivíduo não como um “especialista”, mas como um “amador” capaz de abordar várias áreas do saber de uma forma eficaz.
Que não se caia em extremismos e se pense que uma forma de estar perante o mundo deve substituir a outra e esta é talvez mais uma das características do pós-modernismo, aceitar simultaneamente a afirmação e a sua negação como premissas de uma mesma conclusão. Ambas as posições são necessárias ao desenvolvimento da humanidade.
Gosto da ideia de “amador” e sinto que me enquadro neste perfil. É como se fosse um homem do renascimento. Este “amador”, é aquele que explora um assunto o tempo e a profundidade necessários para resolver ou responder a uma questão. Não tem pois, a pretensão de se tornar um especialista na matéria.
Umberto Eco no seu livro “Como se faz uma tese em ciências humanas” diz que, se estamos a estudar um autor ou assunto cuja bibliografia se apresenta sobretudo numa língua estrangeira devemos aprendê-la, lendo na língua original os livros necessários à investigação. Desse modo, podemos não aprender a falar a língua, mas vamos aprender a lê-la ou seja não somos especialistas nessa língua, mas somos “amadores”.
Para terminar este meu texto resta-me dizer que, acredito na inteligência colectiva como a descreve Pierre Lévi*, acredito na colaboração e na partilha de conhecimento. Acredito que a humanidade, deste modo, pode evoluir de uma forma mais rápida e eficaz.
* Inteligência colectiva - O conceito surge a partir dos debates promovidos por Pierre Lévy sobre as tecnologias da inteligência.
“O que é a inteligência colectiva?
É uma inteligência globalmente distribuída, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que conduz a uma mobilização efectiva das competências. Acrescentemos à nossa definição este acompanhamento indispensável: o fundamento e o fim da inteligência colectiva é o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas, e não o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas.
Uma inteligência globalmente distribuída: é este o nosso axioma de partida. Ninguém sabe tudo, toda a gente sabe alguma coisa, todo o saber reside na humanidade.”
Lévy, Pierre - A inteligência colectiva: para uma antropologia do ciberespaço. Lisboa: Instituto Piaget, ISBN 972-8407-02-5
segunda-feira, maio 24, 2010
adolescência hoje/ontem
Este facto ou esta minha conclusão empírica, deixou-me confuso, pois se vivemos numa época em que se acusam os adolescentes de falta de sociabilização, em detrimento do contacto virtual proporcionado pelas redes sociais da Web, como é possível a justificação para tal conclusão?
Hoje, enquanto viajava de comboio e lia um livro, deparei-me com algumas sentenças que me fizeram compreender e aceitar como possível a minha conclusão. Li então nesse livro*:
“O ciberespaço é, assim, muito mais do que uma forma técnica de publicitação e de recuperação de informação, uma rede de interconexões tácteis, sociais, caracterizando-o como um enorme hipertexto social (Erickson, 1996). A web e suas páginas pessoais podem ser vistas como formatos fluidos de construção de imagens identitárias. […] Portanto, as homepages pessoais revelam a rede não apenas como hipertexto informativo, mas como um hipertexto social complexo.”
“Com as webcams e os diários pessoais não estamos sozinhos quando olhos estranhos nos espreitam. Compartilhando a banalidade podemos suportar melhor a existência. E o mesmo acontece com aquele que é visto, já que ser visto é também estar junto. Revelar a privacidade é aqui um exercício que pode e deve permitir a conexão. No fundo estamos sempre lutando contra a solidão, contra o desencontro e o estranhamento.”
Esta última frase vai ao encontro daquela outra que diz sermos nós animais sociais. Com todos estes pensamentos na cabeça, formulei um outro. O que se passa aqui é incompreensão ou conflito geracional. Como podemos nós compreender os adolescentes de hoje e as suas formas de comunicação e sociabilização? Podemos simplesmente aceitar ou, investigando, tentar compreendê-los como um fenómeno social.
Faz parte da adolescência criar um personagem (um self) e nada melhor do que fazê-lo virtualmente. Acredito que, o facto de se exporem no mundo virtual (graças a aparente segurança que é poder desligar o modem e desse modo, desligar-se desse mundo virtual), torna os adolescentes de hoje mais desinibidos nas suas relações sociais reais.
*Lemos, André – A arte da vida – Diários pessoais e webcams na Internet, in Revista de comunicação e linguagens – A cultura das redes Número extra, p. 305-319. Lisboa: Relógio D'Água, Maio de 2002, 9-770870-708108
quarta-feira, outubro 28, 2009
dias da semana
domingo, setembro 13, 2009
nocturno
Regresso a casa e a manhã já rompeu o horizonte.
Nos ouvidos trago ainda a música
e os ritmos com que fui brindado.
Na cabeça apenas uma frase...
- Dá-me o teu perfume e eu digo-te quem mataste.
terça-feira, julho 28, 2009
"fazer uns filmes"
Como é que podemos “fazer filmes” a partir do que não conhecemos?
Não!
Na realidade parece-nos somente possível “fazer filmes” a partir do que não conhecemos. O que conhecemos parece-nos demasiado familiar para dar um bom “filme”. É com o que não tem, que a mente humana se regala… correcção: a mente humana ilude-se no regalo do que não tem. Quando está perdida é no aconchego do familiar que se reencontra. Saber apreciar o que temos, é mais difícil do que saber apreciar o que não temos. É por esta razão que aparecem a cobiça e a inveja.
Devemos “fazer filmes” a cores ou a preto e branco? A preto e branco dá um ar mais artístico, dizem! Mas um filme a cores torna as coisas mais fáceis de compreender. Afinal, em termos cromáticos, um filme a cores está mais próximo da realidade, logo está mais perto do familiar.
segunda-feira, junho 29, 2009
salad days V
Existem ambém as tardes de verão que guardo na memória. Abrigam as sestas forçadas que a minha avó impunha, a mim, à minha irmã e aos meus primos, todos nós ansiosos pelo seu fim para pudermos ir finalmente brincar e dar azo à nossa imaginação de crianças despreocupadas.
quinta-feira, junho 18, 2009
olhos cerrados
sábado, junho 06, 2009
cérebro "galenado"
Talvez se as juntasse a todas, obtivesse um belo “cut”.
Mas não!
Prefiro deixá-las onde elas pertencem, ao meu cérebro (…ou ao éter?).
quinta-feira, março 26, 2009
sorriso.
Sorte a minha, em ter à porta tão belo sorriso e poder apreciá-lo sempre que me aprouver.
domingo, fevereiro 15, 2009
dignidade
Por vezes podem-se confundir as coisas e pensar-se que a perda de dignidade é a vontade de viver. Não!
O esquecimento de valores passados, não significa que não existam valores, apenas significa que os valores de ontem não são os de hoje. Isto ajuda a que muita gente pense que a dignidade está perdida, mas no entanto valores e dignidade são objectos diferentes.
A vontade de viver ultrapassa qualquer valor passado, criando novos valores.
Dignidade é, para muitos, justiça, honradez e honestidade, mas prefiro vê-la como uma qualidade do Homem que é autónomo e único. Aquele que usa de plena liberdade sobre o seu pensamento, a sua voz e o seu corpo.
domingo, fevereiro 08, 2009
odores
Agarradas a um pensamento fixo, elas fluem como óleo sobre aço. Alheia a tudo, a dança prossegue como uma caminhada para o inevitável. Eu sinto-me responsável pela passagem de toda a energia potencial a energia cinética. Fico a observar do que são capazes dois corpos em movimento.
Sinto vontade de me libertar de toda a inércia que me acompanha e ir ao encontro do movimento, mas a vertigem da incerteza e a falta de coragem, atiram comigo para o esquecimento.
sexta-feira, novembro 07, 2008
ressonância magnética
Lembrei-me da Série “House”, onde os exames similares nunca eram tão ruidosos. Pensei, quantas mais ressonâncias irei fazer até ao final dos meus 150 anos de vida. Será que o bombardeamento magnético a que estou a ser sujeito me irá transformar num super herói, daqueles com super poderes? Não me parece, mas fico contente em descobrir… em reconfirmar que, ainda existe dentro de mim uma criança e que não fui empedernido com as agruras da vida.
Mas é o ruído que me continua a fazer gerar pensamentos e, de entre estes, aquele que mais se destaca e se torna recorrente ao longo do exame, é a ligeira frustração por não ter trazido comigo o meu pequeno gravador de áudio. Desse modo, poderia gravar os sons e garanto que se tratava de puro “noise”, que apreciei do princípio ao fim. Creio que vou pegar no dito aparelho de áudio e andar com ele o resto do dia.
quinta-feira, outubro 30, 2008
o Ardina
Saio da estação e dirijo-me para a praça da Liberdade. Com a mudança da hora para o horário de Inverno, já é noite.
Quando estou a aproximar-me do Ardina (estátua que se encontra na dita praça), noto um casal de turistas a observar curiosamente o Ardina, a aproximarem-se cuidadosamente e com alguma desconfiança. Estranhei, mas logo compreendi.
Ele aproximou, lenta e cuidadosamente a sua mão, à mão do Ardina que segura o jornal. Tocou-lhe ao de leve para logo de seguida e desfeito o mistério, dar-lhe duas ou três sapatadas fortes na mão, para confirmar à sua companheira que se tratava de uma estátua verdadeira e não de um homem estátua.
Hoje, quinta-feira, ao dirigir-me para a estação, notei um grupo de vários indivíduos em volta do Ardina. Pareceu-me que riscavam qualquer coisa no jornal que pende da sua mão. E estavam mesmo. Estavam com folhas de jornal a riscar por cima do jornal de bronze, de forma a decalcar a textura do segundo para o primeiro. Achei de novo curiosa esta interacção com o Ardina.
É maravilhoso notar como uma estátua, pela qual passo todos os dias, para a qual olho todos os dias e pela qual muitas vezes lamento os actos de vandalismo* a que se vê sujeita, consegue, mesmo assim, atrair das mais diversificadas formas a curiosidade dos transeuntes.
* Lamento terem-lhe partido a ponta do cigarro que lhe pendia nos lábios. Lamento as “spraysadas” de que foi vítima e que são notórias no jornal. Lamento a falta de cuidado da autarquia que não zela convenientemente pelos monumentos que possui (mas o desrespeito da câmara municipal pela cultura da cidade, é outra história que tem pano para mangas).