O facto de viver onde vivo faz-me lembrar constantemente a minha infância. O regressar às origens importa essa particularidade e quando ouço a chuva a bater nos vidros da janela, ouço claramente na minha memória o grito de: “Olh’á chuba, meninas, olh’á chuba!”. Seguem-se imagens do alvoroço de mulheres aflitas a recolherem a roupa que anteriormente corava a um sol já ido.
Existem ambém as tardes de verão que guardo na memória. Abrigam as sestas forçadas que a minha avó impunha, a mim, à minha irmã e aos meus primos, todos nós ansiosos pelo seu fim para pudermos ir finalmente brincar e dar azo à nossa imaginação de crianças despreocupadas.
segunda-feira, junho 29, 2009
quinta-feira, junho 18, 2009
olhos cerrados
Quando cerro os olhos tenho visões e penso sobre o que serão. Fico prostrado com tanta beleza. Ouço vozes sussurrando aos meus ouvidos. Tarde demais, a fada chegou e nada fica como antes.
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sábado, junho 06, 2009
cérebro "galenado"
O meu cérebro retoca-se cheio de frases soltas, vindas não sabemos de onde. Talvez as tenha apanhado no éter como uma galena a apanhar as ondas hertzianas. As frases não fazem sentido e nem mesmo o meu cérebro as compreende como uma narrativa lógica.
Talvez se as juntasse a todas, obtivesse um belo “cut”.
Mas não!
Prefiro deixá-las onde elas pertencem, ao meu cérebro (…ou ao éter?).
Talvez se as juntasse a todas, obtivesse um belo “cut”.
Mas não!
Prefiro deixá-las onde elas pertencem, ao meu cérebro (…ou ao éter?).
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segunda-feira, maio 04, 2009
terça-feira, abril 21, 2009
defesa da língua portuguesa
Com que moral pode Portugal discutir o acordo ortográfico, se a defesa da língua portuguesa é desprezada? Fará mais o Brasil pela língua portuguesa do que Portugal? Que poderá significar tudo isto?
Vejamos um artigo de hoje, do Diário de Notícias, que aqui transcrevo.
Novo 'site' reúne bibliotecas e arquivos mundiais
por LUÍS FILIPE RODRIGUES
World Digital Library será apresentada hoje de manhã na sede da UNESCO, em Paris, durante uma conferência de imprensa.
A partir de hoje, o acervo de diversas bibliotecas e arquivos mundiais estará reunido num só site. A plataforma, de nome World Digital Library (Biblioteca Digital Mundial), será apresentada pelas 11.00 na sede da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em Paris. Depois, no endereço www.worlddigitallibrary.org poderão ser consultados, gratuitamente, livros e manuscritos, mas também mapas, gravuras, fotografias e pinturas, bem como partituras ou filmes.
O português é uma das sete línguas em que o site estará disponível, juntamente com o inglês, o francês, o espanhol, o chinês e o russo. Não obstante, as bibliotecas e arquivos nacionais decidiram ficar de fora desta iniciativa. Todos os materiais em língua portuguesa disponíveis na nova plataforma digital foram por isso doados por instituições do Brasil.
Apesar do projecto ter a chancela da UNESCO, a ideia partiu de James Billington, director da Biblioteca do Congresso dos EUA, que em 2005 o apresentou aos responsáveis por aquela organização da ONU. O objectivo é não só facilitar o acesso a um vasto leque de objectos e materiais, mas também promover valores como a diversidade linguística e cultural, unindo os vários povos e, simultaneamente, reduzindo o "fosso digital" entre os países desenvolvidos e o Terceiro Mundo.
De acordo um comunicado da UNESCO, o projecto visa ainda aumentar a qualidade e a variedade da oferta cultural na Internet, através da divulgação de materiais que poderão ser utilizados por "professores e académicos, mas também pelo grande público". Para atingir estes objectivos, e desenvolver a nova plataforma, a Biblioteca do Congresso (EUA), colaborou com 32 outras instituições internacionais, incluindo a Biblioteca de Alexandria.
Entre os artigos que a partir de hoje poderão ser encontrados online encontra-se o Codex Giga, cedido pela Biblioteca Nacional da Suécia e considerado o maior manuscrito medieval. A Biblioteca Nacional do Brasil, por outro lado, cedeu algumas das mais antigas fotografias da América Latina, bem como mapas e obras cartográficas da época dos Descobrimentos.
Vejamos um artigo de hoje, do Diário de Notícias, que aqui transcrevo.
Novo 'site' reúne bibliotecas e arquivos mundiais
por LUÍS FILIPE RODRIGUES
World Digital Library será apresentada hoje de manhã na sede da UNESCO, em Paris, durante uma conferência de imprensa.
A partir de hoje, o acervo de diversas bibliotecas e arquivos mundiais estará reunido num só site. A plataforma, de nome World Digital Library (Biblioteca Digital Mundial), será apresentada pelas 11.00 na sede da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em Paris. Depois, no endereço www.worlddigitallibrary.org poderão ser consultados, gratuitamente, livros e manuscritos, mas também mapas, gravuras, fotografias e pinturas, bem como partituras ou filmes.
O português é uma das sete línguas em que o site estará disponível, juntamente com o inglês, o francês, o espanhol, o chinês e o russo. Não obstante, as bibliotecas e arquivos nacionais decidiram ficar de fora desta iniciativa. Todos os materiais em língua portuguesa disponíveis na nova plataforma digital foram por isso doados por instituições do Brasil.
Apesar do projecto ter a chancela da UNESCO, a ideia partiu de James Billington, director da Biblioteca do Congresso dos EUA, que em 2005 o apresentou aos responsáveis por aquela organização da ONU. O objectivo é não só facilitar o acesso a um vasto leque de objectos e materiais, mas também promover valores como a diversidade linguística e cultural, unindo os vários povos e, simultaneamente, reduzindo o "fosso digital" entre os países desenvolvidos e o Terceiro Mundo.
De acordo um comunicado da UNESCO, o projecto visa ainda aumentar a qualidade e a variedade da oferta cultural na Internet, através da divulgação de materiais que poderão ser utilizados por "professores e académicos, mas também pelo grande público". Para atingir estes objectivos, e desenvolver a nova plataforma, a Biblioteca do Congresso (EUA), colaborou com 32 outras instituições internacionais, incluindo a Biblioteca de Alexandria.
Entre os artigos que a partir de hoje poderão ser encontrados online encontra-se o Codex Giga, cedido pela Biblioteca Nacional da Suécia e considerado o maior manuscrito medieval. A Biblioteca Nacional do Brasil, por outro lado, cedeu algumas das mais antigas fotografias da América Latina, bem como mapas e obras cartográficas da época dos Descobrimentos.
domingo, abril 12, 2009
quinta-feira, abril 09, 2009
pensamentos e aforismos
Deixar os pensamentos perderem-se no tempo. Esperar e deixar os pensamentos perderem-se no tempo.
Alguns dos meus aforismos:
A vida não é complexa, as pessoas é que tendem a complicá-la.
Saber viver com o que se nos proporciona.
Alguns dos meus aforismos:
A vida não é complexa, as pessoas é que tendem a complicá-la.
Saber viver com o que se nos proporciona.
quinta-feira, março 26, 2009
sorriso.
Aquele sorriso matava, de tão belo que era. Era como um farol a guiar um marinheiro ou como a luz do sol numa bela e quente manhã de Primavera.
Sorte a minha, em ter à porta tão belo sorriso e poder apreciá-lo sempre que me aprouver.
Sorte a minha, em ter à porta tão belo sorriso e poder apreciá-lo sempre que me aprouver.
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quinta-feira, março 19, 2009
o homem a quem roubaram a memória.
Nada de novo, se alguém não tem memória. Alguém a quem roubaram a memória!... Começa a despertar o interesse por algo que pode ser anormal.
As pessoas gostam de anormalidades e se possuírem alguma perversão pelo meio que desperte a libido, ainda maior é o gosto. Não sei se este homem terá algo de perverso para além do roubo de que foi vítima, no entanto não deixarei de relatar o seu estranho caso.
Acordou quando ainda lhe retiravam os ferros da garganta. Estava semiconsciente e sem capacidade de agir ou mesmo manifestar-se. Apenas conseguia ver, através dos seus olhos semicerrados, os ferros ensanguentados a sair da sua boca. Ele ainda pensou ser a continuação de um qualquer pesadelo que estava a ter, mas acabou por concluir estar a viver uma situação real.
Não sei como se poderá roubar a memória a alguém através da garganta, mas foi o que aconteceu com este homem. Estranho é ser um roubo selectivo. Não lhe roubaram toda a sua memória.
O homem recuperou das chagas interiores feitas na sua garganta e não notou de imediato o que lhe estava a acontecer. Com o tempo, começou a constatar que tinha uma estranha falta de memória. Com muito esforço conseguia ultrapassá-la, mas provocava-lhe algum desconforto saber que, não retinha de imediato as pessoas na sua memória. Tinha a necessidade de estar com elas várias vezes, até as guardar na memória. Isso causava-lhe alguns constrangimentos sociais porque, nas primeiras vezes que cruzava com as pessoas, não as cumprimentava. Ele olhava para as pessoas e ficava com a estranha sensação de as conhecer, mas não tinha a certeza. Pior ainda, não sabia se reconhecia como amigo ou inimigo.
Um dia, o homem descobriu que reconhecia as pessoas pelos olhos. Não sabia dizer de onde as conhecia, nem quando as conheceu, mas sabia que as conhecia, bem como se eram amigos ou não. Para além disso, ele conseguia ver nos olhos dos outros o carácter dos mesmos.
Esta última capacidade, mostrou-se bastante comprometedora e do mesmo modo, uma espécie de maldição. Vejamos! Quem quer dialogar com alguém que o está a tentar enganar?
O homem não conseguia deixar de olhar nos olhos todos os que com ele cruzavam e isso levava a que cada dia que passava ele tivesse menos amigos. Descobriu que muitos dos amigos não o eram e ele começou a desejar não ter aquela maldita capacidade.
As pessoas gostam de anormalidades e se possuírem alguma perversão pelo meio que desperte a libido, ainda maior é o gosto. Não sei se este homem terá algo de perverso para além do roubo de que foi vítima, no entanto não deixarei de relatar o seu estranho caso.
Acordou quando ainda lhe retiravam os ferros da garganta. Estava semiconsciente e sem capacidade de agir ou mesmo manifestar-se. Apenas conseguia ver, através dos seus olhos semicerrados, os ferros ensanguentados a sair da sua boca. Ele ainda pensou ser a continuação de um qualquer pesadelo que estava a ter, mas acabou por concluir estar a viver uma situação real.
Não sei como se poderá roubar a memória a alguém através da garganta, mas foi o que aconteceu com este homem. Estranho é ser um roubo selectivo. Não lhe roubaram toda a sua memória.
O homem recuperou das chagas interiores feitas na sua garganta e não notou de imediato o que lhe estava a acontecer. Com o tempo, começou a constatar que tinha uma estranha falta de memória. Com muito esforço conseguia ultrapassá-la, mas provocava-lhe algum desconforto saber que, não retinha de imediato as pessoas na sua memória. Tinha a necessidade de estar com elas várias vezes, até as guardar na memória. Isso causava-lhe alguns constrangimentos sociais porque, nas primeiras vezes que cruzava com as pessoas, não as cumprimentava. Ele olhava para as pessoas e ficava com a estranha sensação de as conhecer, mas não tinha a certeza. Pior ainda, não sabia se reconhecia como amigo ou inimigo.
Um dia, o homem descobriu que reconhecia as pessoas pelos olhos. Não sabia dizer de onde as conhecia, nem quando as conheceu, mas sabia que as conhecia, bem como se eram amigos ou não. Para além disso, ele conseguia ver nos olhos dos outros o carácter dos mesmos.
Esta última capacidade, mostrou-se bastante comprometedora e do mesmo modo, uma espécie de maldição. Vejamos! Quem quer dialogar com alguém que o está a tentar enganar?
O homem não conseguia deixar de olhar nos olhos todos os que com ele cruzavam e isso levava a que cada dia que passava ele tivesse menos amigos. Descobriu que muitos dos amigos não o eram e ele começou a desejar não ter aquela maldita capacidade.
sábado, março 07, 2009
alguns dias no Fantas e dois no Sá da Bandeira
Alguns dias no Fantas e dois no Sá da Bandeira saldaram-se com alguns filmes, uma conferência de imprensa e três concertos. Não vou falar sobre nenhum destes eventos porque não me apetece, porque há muita gente a falar sobre eles e porque, não sendo a minha opinião, há quem fale bem e melhor do que eu sobre filmes e música. Deixo aqui algumas imagens, pouco ilustrativas, mas que me agradam. Bom, apenas direi que foram eventos que valeram a pena.

FantasPorto 2009 (29ª edição).

Conferência de imprensa com Win Wenders.

Concerto dos "Clã", no tradicional Baile dos Vampiros que encerra o Fantas.

Concerto dos "Smix Smox Smux", grupo que abriu o concerto dos "Mão Morta".

Concerto dos "Mão Morta".
FantasPorto 2009 (29ª edição).
Conferência de imprensa com Win Wenders.
Concerto dos "Clã", no tradicional Baile dos Vampiros que encerra o Fantas.
Concerto dos "Smix Smox Smux", grupo que abriu o concerto dos "Mão Morta".
Concerto dos "Mão Morta".
sexta-feira, março 06, 2009
o atelier mais pequeno do mundo
Decidi, hoje, inaugurar o mais pequeno atelier de pintura do mundo (até prova do contrário). Como disse um professor meu, “estou farto de usar como desculpa o facto de não ter espaço para pintar”.
Ao som de “Birthday Party” - podia ser outra banda qualquer da minha colecção discográfica, mas é o que estou neste momento a ouvir – como dizia, ao som de “Birthday Party”, comecei por tirar umas fotos que vou colocar num blog criado propositadamente para mostrar o que for fazendo no atelier. Depois das fotos tiradas, mãos à obra, que a vontade de pintar é muita.
Para já, apenas coloco aqui este anúncio. Vamos ver como correm as coisas e abrir um novo blog enquanto a tinta seca.
Aqui ficam 3 das fotos escolhidas.


Ao som de “Birthday Party” - podia ser outra banda qualquer da minha colecção discográfica, mas é o que estou neste momento a ouvir – como dizia, ao som de “Birthday Party”, comecei por tirar umas fotos que vou colocar num blog criado propositadamente para mostrar o que for fazendo no atelier. Depois das fotos tiradas, mãos à obra, que a vontade de pintar é muita.
Para já, apenas coloco aqui este anúncio. Vamos ver como correm as coisas e abrir um novo blog enquanto a tinta seca.
Aqui ficam 3 das fotos escolhidas.


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domingo, fevereiro 15, 2009
dignidade
Tenho aprendido que a maior parte das pessoas prefere perder a sua dignidade ao seu "status" ou bens materiais. Hoje, como ontem, é entre os jovens, e a sua irreverência, que eu vou encontrando mais pessoas empenhadas em manter a sua dignidade.
Por vezes podem-se confundir as coisas e pensar-se que a perda de dignidade é a vontade de viver. Não!
O esquecimento de valores passados, não significa que não existam valores, apenas significa que os valores de ontem não são os de hoje. Isto ajuda a que muita gente pense que a dignidade está perdida, mas no entanto valores e dignidade são objectos diferentes.
A vontade de viver ultrapassa qualquer valor passado, criando novos valores.
Dignidade é, para muitos, justiça, honradez e honestidade, mas prefiro vê-la como uma qualidade do Homem que é autónomo e único. Aquele que usa de plena liberdade sobre o seu pensamento, a sua voz e o seu corpo.
Por vezes podem-se confundir as coisas e pensar-se que a perda de dignidade é a vontade de viver. Não!
O esquecimento de valores passados, não significa que não existam valores, apenas significa que os valores de ontem não são os de hoje. Isto ajuda a que muita gente pense que a dignidade está perdida, mas no entanto valores e dignidade são objectos diferentes.
A vontade de viver ultrapassa qualquer valor passado, criando novos valores.
Dignidade é, para muitos, justiça, honradez e honestidade, mas prefiro vê-la como uma qualidade do Homem que é autónomo e único. Aquele que usa de plena liberdade sobre o seu pensamento, a sua voz e o seu corpo.
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domingo, fevereiro 08, 2009
odores
Os odores confundem-me,… perturbam-me e os sons da cidade embriagam-me, o que torna a sinestesia possível. Observo sons de texturas extremas, voluptuosas e apetecíveis.
Agarradas a um pensamento fixo, elas fluem como óleo sobre aço. Alheia a tudo, a dança prossegue como uma caminhada para o inevitável. Eu sinto-me responsável pela passagem de toda a energia potencial a energia cinética. Fico a observar do que são capazes dois corpos em movimento.
Sinto vontade de me libertar de toda a inércia que me acompanha e ir ao encontro do movimento, mas a vertigem da incerteza e a falta de coragem, atiram comigo para o esquecimento.
Agarradas a um pensamento fixo, elas fluem como óleo sobre aço. Alheia a tudo, a dança prossegue como uma caminhada para o inevitável. Eu sinto-me responsável pela passagem de toda a energia potencial a energia cinética. Fico a observar do que são capazes dois corpos em movimento.
Sinto vontade de me libertar de toda a inércia que me acompanha e ir ao encontro do movimento, mas a vertigem da incerteza e a falta de coragem, atiram comigo para o esquecimento.
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terça-feira, janeiro 13, 2009
não sou simplesmente um animal
Incomoda-me um pouco o facto de as pessoas não poderem aceitar a existência de apenas uma relação de amizade entre um homem e uma mulher.
É natural a existência de uma atracção animal entre um homem e uma mulher. Faz parte do nosso instinto de sobrevivência (a manutenção da espécie). Mas para além de animais, somos seres racionais.
Não sou simplesmente um animal. Se o fosse, deixava-me por vezes levar pelas ganas, que confesso ter, e tentava ter-te entre os meus braços, com as tuas pernas a abraçar a minha anca, possuindo o teu corpo e sendo possuído por ele.
Mas não, não sou simplesmente um animal e tal como tu, tenho esta necessidade de partilhar a minha vida com animais que pensam. Prefiro ter-te toda a vida por perto, do que somente por umas noites de prazer animal.
É natural a existência de uma atracção animal entre um homem e uma mulher. Faz parte do nosso instinto de sobrevivência (a manutenção da espécie). Mas para além de animais, somos seres racionais.
Não sou simplesmente um animal. Se o fosse, deixava-me por vezes levar pelas ganas, que confesso ter, e tentava ter-te entre os meus braços, com as tuas pernas a abraçar a minha anca, possuindo o teu corpo e sendo possuído por ele.
Mas não, não sou simplesmente um animal e tal como tu, tenho esta necessidade de partilhar a minha vida com animais que pensam. Prefiro ter-te toda a vida por perto, do que somente por umas noites de prazer animal.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
sonho estranho
Conto-vos aqui um sonho muito estranho que tive.
Sonhei que queria comprar um apartamento nos reconstruídos prédios do célebre café Luso e da ex-sede de campanha do General Humberto Delgado.
Claro que tinha o problema de não possuir o dinheiro suficiente para comprar tão caro apartamento. Resolvi então pedir dinheiro ao sr. primeiro ministro José Sócrates. Fui ter com ele e disse-lhe que era banqueiro, de um banco cujo nome terei inventado no momento, e que necessitava de um pequeno e ligeiríssimo empréstimo a fundo perdido.
O sr. primeiro ministro respondeu-me então:
- Mas... qual é o seu banco? Creio que não conheço.
Eu, estupefacto, respondi-lhe:
- Mas, ó sr. engenheiro, não conhece o meu banco? Olhe que nem parece seu. Uma pessoa culta como o senhor, bem formada e letrada. Qual é o seu curso, mesmo?
Ele olhou para mim e disse:
- Quanto é que pretende?
Sonhei que queria comprar um apartamento nos reconstruídos prédios do célebre café Luso e da ex-sede de campanha do General Humberto Delgado.
Claro que tinha o problema de não possuir o dinheiro suficiente para comprar tão caro apartamento. Resolvi então pedir dinheiro ao sr. primeiro ministro José Sócrates. Fui ter com ele e disse-lhe que era banqueiro, de um banco cujo nome terei inventado no momento, e que necessitava de um pequeno e ligeiríssimo empréstimo a fundo perdido.
O sr. primeiro ministro respondeu-me então:
- Mas... qual é o seu banco? Creio que não conheço.
Eu, estupefacto, respondi-lhe:
- Mas, ó sr. engenheiro, não conhece o meu banco? Olhe que nem parece seu. Uma pessoa culta como o senhor, bem formada e letrada. Qual é o seu curso, mesmo?
Ele olhou para mim e disse:
- Quanto é que pretende?
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Porto 2009
Com o objectivo de ver o primeiro dia do ano nascer sobre o Porto.

















Estas quatro últimas fotos, foram tiradas pela M.
Obrigado M.



Estas quatro últimas fotos, foram tiradas pela M.
Obrigado M.
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sábado, dezembro 06, 2008
problema de mãos
Bom, o outro homem morreu, mas este não!
Este tinha um problema nas mãos. Um problema muito simples, mas bastante complexo. Ele não sabia o que devia fazer às mãos. Ficava para ali, com elas assim, desesperado, sem saber o que lhes fazer. Por vezes… mas não, não adiantava nada, as mãos continuavam ali, assim. Também tentava e tal, mas o problema persistia e até o irritava mais. Todos os seus esforços eram em vão. Era um homem desesperado.
Um dia, desatarraxou as mãos e meteu-as nos bolsos. Ficou felicíssimo.
Este tinha um problema nas mãos. Um problema muito simples, mas bastante complexo. Ele não sabia o que devia fazer às mãos. Ficava para ali, com elas assim, desesperado, sem saber o que lhes fazer. Por vezes… mas não, não adiantava nada, as mãos continuavam ali, assim. Também tentava e tal, mas o problema persistia e até o irritava mais. Todos os seus esforços eram em vão. Era um homem desesperado.
Um dia, desatarraxou as mãos e meteu-as nos bolsos. Ficou felicíssimo.
sábado, novembro 22, 2008
desaprender a respirar
Um dia, um homem, desaprendeu a respirar.
Estava ali, assim… e de repente parou de respirar. Não porque lhe desse maleita maior; não porque prendesse a respiração; não porque a isso o obrigaram; apenas porque não sabia como o fazer. O homem pensou: que se passa? Parei de respirar? Mas… como se faz para respirar?
Na verdade o homem não sentia nada. O seu peito simplesmente deixou de mexer e a sua pele ficou… O homem não sentia dor e apenas se sentia cada vez mais dentro de si próprio. Nesse profundo âmago, encontrou-se a si próprio.
- Porquê? Porque é que só na hora da minha extinção é que me encontro?
E o homem deixou de pensar.
Estava ali, assim… e de repente parou de respirar. Não porque lhe desse maleita maior; não porque prendesse a respiração; não porque a isso o obrigaram; apenas porque não sabia como o fazer. O homem pensou: que se passa? Parei de respirar? Mas… como se faz para respirar?
Na verdade o homem não sentia nada. O seu peito simplesmente deixou de mexer e a sua pele ficou… O homem não sentia dor e apenas se sentia cada vez mais dentro de si próprio. Nesse profundo âmago, encontrou-se a si próprio.
- Porquê? Porque é que só na hora da minha extinção é que me encontro?
E o homem deixou de pensar.
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sexta-feira, novembro 07, 2008
ressonância magnética
Hoje, fui fazer uma ressonância magnética. Foi a primeira vez que fiz tal exame. Enquanto decorria o exame, muitos pensamentos me ocorreram, não sendo propriamente os mais comuns, penso eu, em situações deste tipo.
Lembrei-me da Série “House”, onde os exames similares nunca eram tão ruidosos. Pensei, quantas mais ressonâncias irei fazer até ao final dos meus 150 anos de vida. Será que o bombardeamento magnético a que estou a ser sujeito me irá transformar num super herói, daqueles com super poderes? Não me parece, mas fico contente em descobrir… em reconfirmar que, ainda existe dentro de mim uma criança e que não fui empedernido com as agruras da vida.
Mas é o ruído que me continua a fazer gerar pensamentos e, de entre estes, aquele que mais se destaca e se torna recorrente ao longo do exame, é a ligeira frustração por não ter trazido comigo o meu pequeno gravador de áudio. Desse modo, poderia gravar os sons e garanto que se tratava de puro “noise”, que apreciei do princípio ao fim. Creio que vou pegar no dito aparelho de áudio e andar com ele o resto do dia.
Lembrei-me da Série “House”, onde os exames similares nunca eram tão ruidosos. Pensei, quantas mais ressonâncias irei fazer até ao final dos meus 150 anos de vida. Será que o bombardeamento magnético a que estou a ser sujeito me irá transformar num super herói, daqueles com super poderes? Não me parece, mas fico contente em descobrir… em reconfirmar que, ainda existe dentro de mim uma criança e que não fui empedernido com as agruras da vida.
Mas é o ruído que me continua a fazer gerar pensamentos e, de entre estes, aquele que mais se destaca e se torna recorrente ao longo do exame, é a ligeira frustração por não ter trazido comigo o meu pequeno gravador de áudio. Desse modo, poderia gravar os sons e garanto que se tratava de puro “noise”, que apreciei do princípio ao fim. Creio que vou pegar no dito aparelho de áudio e andar com ele o resto do dia.
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quinta-feira, novembro 06, 2008
se soubesses o que é!
Se soubesses o que é!
Estar assim embrulhado em sentimentos, de sorriso no rosto e cansaço na mente. Espreitar por entre a ruína e sorrir pela madrugada. Esperar pelo desejo e conquistar a esperança.
Ah, mas se soubesses o que é!
Não saber nada e nada esperar. Ter o cuidado de não perturbar o silêncio e deixar a água do lago repousar. Olhar! Ver e amar. Pensar e ficar feliz por pensar. Estar vivo e saborear.
Se soubesses o que é partilhar!
Ser uno e apaixonado. Correr descalço sobre a água do mar. Comer gelados, gritar, brincar, aproveitar o sol e de novo o mar. Ser criança, ingénuo e acreditar. Hum! Que bom é ser.
Estar assim embrulhado em sentimentos, de sorriso no rosto e cansaço na mente. Espreitar por entre a ruína e sorrir pela madrugada. Esperar pelo desejo e conquistar a esperança.
Ah, mas se soubesses o que é!
Não saber nada e nada esperar. Ter o cuidado de não perturbar o silêncio e deixar a água do lago repousar. Olhar! Ver e amar. Pensar e ficar feliz por pensar. Estar vivo e saborear.
Se soubesses o que é partilhar!
Ser uno e apaixonado. Correr descalço sobre a água do mar. Comer gelados, gritar, brincar, aproveitar o sol e de novo o mar. Ser criança, ingénuo e acreditar. Hum! Que bom é ser.
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