terça-feira, abril 21, 2009

defesa da língua portuguesa

Com que moral pode Portugal discutir o acordo ortográfico, se a defesa da língua portuguesa é desprezada? Fará mais o Brasil pela língua portuguesa do que Portugal? Que poderá significar tudo isto?

Vejamos um artigo de hoje, do Diário de Notícias, que aqui transcrevo.


Novo 'site' reúne bibliotecas e arquivos mundiais


por LUÍS FILIPE RODRIGUES

World Digital Library será apresentada hoje de manhã na sede da UNESCO, em Paris, durante uma conferência de imprensa.

A partir de hoje, o acervo de diversas bibliotecas e arquivos mundiais estará reunido num só site. A plataforma, de nome World Digital Library (Biblioteca Digital Mundial), será apresentada pelas 11.00 na sede da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em Paris. Depois, no endereço www.worlddigitallibrary.org poderão ser consultados, gratuitamente, livros e manuscritos, mas também mapas, gravuras, fotografias e pinturas, bem como partituras ou filmes.

O português é uma das sete línguas em que o site estará disponível, juntamente com o inglês, o francês, o espanhol, o chinês e o russo. Não obstante, as bibliotecas e arquivos nacionais decidiram ficar de fora desta iniciativa. Todos os materiais em língua portuguesa disponíveis na nova plataforma digital foram por isso doados por instituições do Brasil.

Apesar do projecto ter a chancela da UNESCO, a ideia partiu de James Billington, director da Biblioteca do Congresso dos EUA, que em 2005 o apresentou aos responsáveis por aquela organização da ONU. O objectivo é não só facilitar o acesso a um vasto leque de objectos e materiais, mas também promover valores como a diversidade linguística e cultural, unindo os vários povos e, simultaneamente, reduzindo o "fosso digital" entre os países desenvolvidos e o Terceiro Mundo.

De acordo um comunicado da UNESCO, o projecto visa ainda aumentar a qualidade e a variedade da oferta cultural na Internet, através da divulgação de materiais que poderão ser utilizados por "professores e académicos, mas também pelo grande público". Para atingir estes objectivos, e desenvolver a nova plataforma, a Biblioteca do Congresso (EUA), colaborou com 32 outras instituições internacionais, incluindo a Biblioteca de Alexandria.

Entre os artigos que a partir de hoje poderão ser encontrados online encontra-se o Codex Giga, cedido pela Biblioteca Nacional da Suécia e considerado o maior manuscrito medieval. A Biblioteca Nacional do Brasil, por outro lado, cedeu algumas das mais antigas fotografias da América Latina, bem como mapas e obras cartográficas da época dos Descobrimentos.

domingo, abril 12, 2009

quinta-feira, abril 09, 2009

pensamentos e aforismos

Deixar os pensamentos perderem-se no tempo. Esperar e deixar os pensamentos perderem-se no tempo.

Alguns dos meus aforismos:

A vida não é complexa, as pessoas é que tendem a complicá-la.

Saber viver com o que se nos proporciona.

quinta-feira, março 26, 2009

sorriso.

Aquele sorriso matava, de tão belo que era. Era como um farol a guiar um marinheiro ou como a luz do sol numa bela e quente manhã de Primavera.

Sorte a minha, em ter à porta tão belo sorriso e poder apreciá-lo sempre que me aprouver.

quinta-feira, março 19, 2009

o homem a quem roubaram a memória.

Nada de novo, se alguém não tem memória. Alguém a quem roubaram a memória!... Começa a despertar o interesse por algo que pode ser anormal.

As pessoas gostam de anormalidades e se possuírem alguma perversão pelo meio que desperte a libido, ainda maior é o gosto. Não sei se este homem terá algo de perverso para além do roubo de que foi vítima, no entanto não deixarei de relatar o seu estranho caso.

Acordou quando ainda lhe retiravam os ferros da garganta. Estava semiconsciente e sem capacidade de agir ou mesmo manifestar-se. Apenas conseguia ver, através dos seus olhos semicerrados, os ferros ensanguentados a sair da sua boca. Ele ainda pensou ser a continuação de um qualquer pesadelo que estava a ter, mas acabou por concluir estar a viver uma situação real.

Não sei como se poderá roubar a memória a alguém através da garganta, mas foi o que aconteceu com este homem. Estranho é ser um roubo selectivo. Não lhe roubaram toda a sua memória.

O homem recuperou das chagas interiores feitas na sua garganta e não notou de imediato o que lhe estava a acontecer. Com o tempo, começou a constatar que tinha uma estranha falta de memória. Com muito esforço conseguia ultrapassá-la, mas provocava-lhe algum desconforto saber que, não retinha de imediato as pessoas na sua memória. Tinha a necessidade de estar com elas várias vezes, até as guardar na memória. Isso causava-lhe alguns constrangimentos sociais porque, nas primeiras vezes que cruzava com as pessoas, não as cumprimentava. Ele olhava para as pessoas e ficava com a estranha sensação de as conhecer, mas não tinha a certeza. Pior ainda, não sabia se reconhecia como amigo ou inimigo.

Um dia, o homem descobriu que reconhecia as pessoas pelos olhos. Não sabia dizer de onde as conhecia, nem quando as conheceu, mas sabia que as conhecia, bem como se eram amigos ou não. Para além disso, ele conseguia ver nos olhos dos outros o carácter dos mesmos.

Esta última capacidade, mostrou-se bastante comprometedora e do mesmo modo, uma espécie de maldição. Vejamos! Quem quer dialogar com alguém que o está a tentar enganar?

O homem não conseguia deixar de olhar nos olhos todos os que com ele cruzavam e isso levava a que cada dia que passava ele tivesse menos amigos. Descobriu que muitos dos amigos não o eram e ele começou a desejar não ter aquela maldita capacidade.

sábado, março 07, 2009

alguns dias no Fantas e dois no Sá da Bandeira

Alguns dias no Fantas e dois no Sá da Bandeira saldaram-se com alguns filmes, uma conferência de imprensa e três concertos. Não vou falar sobre nenhum destes eventos porque não me apetece, porque há muita gente a falar sobre eles e porque, não sendo a minha opinião, há quem fale bem e melhor do que eu sobre filmes e música. Deixo aqui algumas imagens, pouco ilustrativas, mas que me agradam. Bom, apenas direi que foram eventos que valeram a pena.




FantasPorto 2009 (29ª edição).



Conferência de imprensa com Win Wenders.



Concerto dos "Clã", no tradicional Baile dos Vampiros que encerra o Fantas.



Concerto dos "Smix Smox Smux", grupo que abriu o concerto dos "Mão Morta".



Concerto dos "Mão Morta".

sexta-feira, março 06, 2009

o atelier mais pequeno do mundo

Decidi, hoje, inaugurar o mais pequeno atelier de pintura do mundo (até prova do contrário). Como disse um professor meu, “estou farto de usar como desculpa o facto de não ter espaço para pintar”.
Ao som de “Birthday Party” - podia ser outra banda qualquer da minha colecção discográfica, mas é o que estou neste momento a ouvir – como dizia, ao som de “Birthday Party”, comecei por tirar umas fotos que vou colocar num blog criado propositadamente para mostrar o que for fazendo no atelier. Depois das fotos tiradas, mãos à obra, que a vontade de pintar é muita.
Para já, apenas coloco aqui este anúncio. Vamos ver como correm as coisas e abrir um novo blog enquanto a tinta seca.
Aqui ficam 3 das fotos escolhidas.






domingo, fevereiro 15, 2009

dignidade

Tenho aprendido que a maior parte das pessoas prefere perder a sua dignidade ao seu "status" ou bens materiais. Hoje, como ontem, é entre os jovens, e a sua irreverência, que eu vou encontrando mais pessoas empenhadas em manter a sua dignidade.

Por vezes podem-se confundir as coisas e pensar-se que a perda de dignidade é a vontade de viver. Não!

O esquecimento de valores passados, não significa que não existam valores, apenas significa que os valores de ontem não são os de hoje. Isto ajuda a que muita gente pense que a dignidade está perdida, mas no entanto valores e dignidade são objectos diferentes.

A vontade de viver ultrapassa qualquer valor passado, criando novos valores.

Dignidade é, para muitos, justiça, honradez e honestidade, mas prefiro vê-la como uma qualidade do Homem que é autónomo e único. Aquele que usa de plena liberdade sobre o seu pensamento, a sua voz e o seu corpo.

domingo, fevereiro 08, 2009

odores

Os odores confundem-me,… perturbam-me e os sons da cidade embriagam-me, o que torna a sinestesia possível. Observo sons de texturas extremas, voluptuosas e apetecíveis.

Agarradas a um pensamento fixo, elas fluem como óleo sobre aço. Alheia a tudo, a dança prossegue como uma caminhada para o inevitável. Eu sinto-me responsável pela passagem de toda a energia potencial a energia cinética. Fico a observar do que são capazes dois corpos em movimento.

Sinto vontade de me libertar de toda a inércia que me acompanha e ir ao encontro do movimento, mas a vertigem da incerteza e a falta de coragem, atiram comigo para o esquecimento.

terça-feira, janeiro 13, 2009

não sou simplesmente um animal

Incomoda-me um pouco o facto de as pessoas não poderem aceitar a existência de apenas uma relação de amizade entre um homem e uma mulher.

É natural a existência de uma atracção animal entre um homem e uma mulher. Faz parte do nosso instinto de sobrevivência (a manutenção da espécie). Mas para além de animais, somos seres racionais.

Não sou simplesmente um animal. Se o fosse, deixava-me por vezes levar pelas ganas, que confesso ter, e tentava ter-te entre os meus braços, com as tuas pernas a abraçar a minha anca, possuindo o teu corpo e sendo possuído por ele.

Mas não, não sou simplesmente um animal e tal como tu, tenho esta necessidade de partilhar a minha vida com animais que pensam. Prefiro ter-te toda a vida por perto, do que somente por umas noites de prazer animal.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

sonho estranho

Conto-vos aqui um sonho muito estranho que tive.

Sonhei que queria comprar um apartamento nos
reconstruídos prédios do célebre café Luso e da ex-sede de campanha do General Humberto Delgado.

Claro que tinha o problema de não possuir o dinheiro suficiente para comprar tão caro apartamento. Resolvi então pedir dinheiro ao sr. primeiro ministro José Sócrates. Fui ter com ele e disse-lhe que era banqueiro, de um banco cujo nome terei inventado no momento, e que necessitava de um pequeno e ligeiríssimo empréstimo a fundo perdido.

O sr. primeiro ministro respondeu-me então:
- Mas... qual é o seu banco? Creio que não conheço.

Eu, estupefacto, respondi-lhe:
- Mas, ó sr. engenheiro, não conhece o meu banco? Olhe que nem parece seu. Uma pessoa culta como o senhor, bem formada e letrada. Qual é o seu curso, mesmo?

Ele olhou para mim e disse:
- Quanto é que pretende?

Porto 2009

Com o objectivo de ver o primeiro dia do ano nascer sobre o Porto.




















































Estas quatro últimas fotos, foram tiradas pela M.
Obrigado M.










sábado, dezembro 06, 2008

problema de mãos

Bom, o outro homem morreu, mas este não!

Este tinha um problema nas mãos. Um problema muito simples, mas bastante complexo. Ele não sabia o que devia fazer às mãos. Ficava para ali, com elas assim, desesperado, sem saber o que lhes fazer. Por vezes… mas não, não adiantava nada, as mãos continuavam ali, assim. Também tentava e tal, mas o problema persistia e até o irritava mais. Todos os seus esforços eram em vão. Era um homem desesperado.

Um dia, desatarraxou as mãos e meteu-as nos bolsos. Ficou felicíssimo.

sábado, novembro 22, 2008

desaprender a respirar

Um dia, um homem, desaprendeu a respirar.

Estava ali, assim… e de repente parou de respirar. Não porque lhe desse maleita maior; não porque prendesse a respiração; não porque a isso o obrigaram; apenas porque não sabia como o fazer. O homem pensou: que se passa? Parei de respirar? Mas… como se faz para respirar?

Na verdade o homem não sentia nada. O seu peito simplesmente deixou de mexer e a sua pele ficou… O homem não sentia dor e apenas se sentia cada vez mais dentro de si próprio. Nesse profundo âmago, encontrou-se a si próprio.

- Porquê? Porque é que só na hora da minha extinção é que me encontro?

E o homem deixou de pensar.

sexta-feira, novembro 07, 2008

ressonância magnética

Hoje, fui fazer uma ressonância magnética. Foi a primeira vez que fiz tal exame. Enquanto decorria o exame, muitos pensamentos me ocorreram, não sendo propriamente os mais comuns, penso eu, em situações deste tipo.

Lembrei-me da Série “House”, onde os exames similares nunca eram tão ruidosos. Pensei, quantas mais ressonâncias irei fazer até ao final dos meus 150 anos de vida. Será que o bombardeamento magnético a que estou a ser sujeito me irá transformar num super herói, daqueles com super poderes? Não me parece, mas fico contente em descobrir… em reconfirmar que, ainda existe dentro de mim uma criança e que não fui empedernido com as agruras da vida.

Mas é o ruído que me continua a fazer gerar pensamentos e, de entre estes, aquele que mais se destaca e se torna recorrente ao longo do exame, é a ligeira frustração por não ter trazido comigo o meu pequeno gravador de áudio. Desse modo, poderia gravar os sons e garanto que se tratava de puro “noise”, que apreciei do princípio ao fim. Creio que vou pegar no dito aparelho de áudio e andar com ele o resto do dia.

quinta-feira, novembro 06, 2008

se soubesses o que é!

Se soubesses o que é!

Estar assim embrulhado em sentimentos, de sorriso no rosto e cansaço na mente. Espreitar por entre a ruína e sorrir pela madrugada. Esperar pelo desejo e conquistar a esperança.

Ah, mas se soubesses o que é!

Não saber nada e nada esperar. Ter o cuidado de não perturbar o silêncio e deixar a água do lago repousar. Olhar! Ver e amar. Pensar e ficar feliz por pensar. Estar vivo e saborear.

Se soubesses o que é partilhar!

Ser uno e apaixonado. Correr descalço sobre a água do mar. Comer gelados, gritar, brincar, aproveitar o sol e de novo o mar. Ser criança, ingénuo e acreditar. Hum! Que bom é ser.

quinta-feira, outubro 30, 2008

o Ardina

Quarta-feira, 18.30 h. O comboio chega à estação de S.Bento.

Saio da estação e dirijo-me para a praça da Liberdade. Com a mudança da hora para o horário de Inverno, já é noite.

Quando estou a aproximar-me do Ardina (estátua que se encontra na dita praça), noto um casal de turistas a observar curiosamente o Ardina, a aproximarem-se cuidadosamente e com alguma desconfiança. Estranhei, mas logo compreendi.

Ele aproximou, lenta e cuidadosamente a sua mão, à mão do Ardina que segura o jornal. Tocou-lhe ao de leve para logo de seguida e desfeito o mistério, dar-lhe duas ou três sapatadas fortes na mão, para confirmar à sua companheira que se tratava de uma estátua verdadeira e não de um homem estátua.

Hoje, quinta-feira, ao dirigir-me para a estação, notei um grupo de vários indivíduos em volta do Ardina. Pareceu-me que riscavam qualquer coisa no jornal que pende da sua mão. E estavam mesmo. Estavam com folhas de jornal a riscar por cima do jornal de bronze, de forma a decalcar a textura do segundo para o primeiro. Achei de novo curiosa esta interacção com o Ardina.

É maravilhoso notar como uma estátua, pela qual passo todos os dias, para a qual olho todos os dias e pela qual muitas vezes lamento os actos de vandalismo* a que se vê sujeita, consegue, mesmo assim, atrair das mais diversificadas formas a curiosidade dos transeuntes.


* Lamento terem-lhe partido a ponta do cigarro que lhe pendia nos lábios. Lamento as “spraysadas” de que foi vítima e que são notórias no jornal. Lamento a falta de cuidado da autarquia que não zela convenientemente pelos monumentos que possui (mas o desrespeito da câmara municipal pela cultura da cidade, é outra história que tem pano para mangas).

terça-feira, outubro 28, 2008

negativland

01/10





02/10





03/10





04/10





05/10





06/10





07/10





08/10





09/10





10/10





Não resisto a colocar mais estes dois.

Time Zones





Car Bomb




segunda-feira, outubro 27, 2008

porque escrevo?

Escrevo porque não quero dizer a razão de escrever, escrevo porque as palavras me afluem aos dedos, escrevo porque não tenho razão para o fazer.

Escrevo porque não existe sentimento, escrevo porque é o que acontece, escrevo porque não é isso que penso.

Escrevo porque não existe o que escrevo, escrevo porque me lembro e escrevo, escrevo porque não sei o que escrevo.

Escrevo, escrevo, escrevo e afinal não escrevo, apenas deixo os meus dedos passearem sobre o teclado e lutarem com as palavras para se formarem frases sem sentido que apenas dizem o que não dizem.

São enganos, são metáforas, são pregos na calçada onde caminho descalço.

São alucinações, são pesadelos, são gomas que me colam o peito ao céu.

São verdades, são vocábulos, são sentenças que perdi a jogar com o vento.

É a queda dos dedos sobre o tecladopof kgjq0020+psaldpf bvuqbwfjnwqfb

domingo, outubro 26, 2008

palavras nas mãos

Adormeço com as tuas palavras nas mãos e sonho com todas as vezes que pensei em ti.