I já deu dois, já só faltam seis.




















Penitencio-me, por, embora não totalmente alheio, não dar a importância devida à política portuguesa, mesmo sendo apelidado pelos amigos de anarco-sindicalista. Aconteceu ontem o debate do estado da nação e entre tudo o que foi dito e que pode facilmente ser visto, lido ou ouvido em qualquer meio de comunicação social, uma das questões que me preocupou, foi, não o que se disse, não o que ficou por se dizer, mas um certo “estou-me a borrifar”. Esta atitude, pode ser presenciada no parlamento e protagonizada pelos senhores que são pagos pelos meus suados impostos. Enquanto decorria o debate, pode-se presenciar gente a conversar, gente ao telemóvel, gente que pura e simplesmente abandonou o recinto que, entenda-se, é o seu local de trabalho. Que competência, tem esta gente para governar?
Sou eu, entre muitos outros portugueses, que pago o salário a estes senhores e gostaria de através deste singelo blog, propor a alteração das regalias destes maus funcionários públicos (afinal sempre existem) e o despedimento por justa causa de alguns deles. Para além disto, proponho também a redução do número de deputados para metade, visto que, mesmo sem dados concretos, acreditar ser essa a percentagem de presenças médias, mas, mesmo que não seja este o valor, sempre se reduz o número de incompetentes, acreditando que existem alguns que sempre vão trabalhando. Com esta redução no número de deputados, estaríamos a poupar imenso dinheiro aos cofres do estado. Também estaríamos deste modo, a reduzir o número de futuras reformas chorudas, o que, uma vez mais, se iria manifestar na melhoria das contas públicas.
Com os exemplos dados por estes senhores que se ausentam, sem pejo nenhum, do seu local de trabalho, como poderão os portugueses ser mais produtivos? Os exemplos que os portugueses têm e que vêm entrar-lhes pela casa dentro através dos seus aparelhos receptores de TV, entre outros meios de comunicação social, são magníficos para se desculparem da sua própria apatia na melhoria deste país. Quando os deputados de uma assembleia da república se estão borrifando para o estado da nação, como querem que os portugueses se manifestem? Eu sei. Não é através da grande taxa de abstenção em actos eleitorais, mas sim através da presença maciça nesses actos, altura em que nos é dada a oportunidade de expressar o nosso sentir, e através do voto em branco, manifestando assim a indignação para com aqueles que não merecem cada centavo do seu ordenado.
Questiono-me: o que aconteceria se eu me ausentasse sem razão aparente do meu local de trabalho?
Vi-a no metro. Não há palavras para a descrever. Talvez só dizer que era uma mulher jovem que aparentava ser muito mais velha por estar severamente estigmatizada pela vida. Tinha a cara visivelmente marcada por alguns “mimos” menos amistosos e esforçava-se em vão por não adormecer. O que é certo é que sempre que fechava os olhos e adormecia, transpirava paz e mesmo alguma beleza que se escondia por detrás do rosto ferido. Ninguém se aproximava dela, não só pelo aspecto das suas vestes demasiado sujas e do casaco com que se cobria, protegendo-se desse modo do frio, mas sobretudo pelo cheiro que era intenso, próprio de quem não toma um bom banho e não veste roupa lavada há alguns meses.
O sentimento que nutri por esta pessoa é aquele que nutro sempre que vejo alguém realmente infeliz. É o desejo de ter o dom do toque de Midas. Não para transformar em ouro tudo aquilo em que tocasse, mas sim para tornar felizes todos aqueles que fossem por mim tocados.