sexta-feira, agosto 29, 2008

gatos II

Uma vez mais os gatinhos, desta vez com fotos da progenitora e da sua prole.
I já deu dois, já só faltam seis.














recordo! (ou o elogio do preto)

Recordo!

Recordo-me de ser adolescente e ser conhecido na zona onde morava como “aquele que anda de preto”. Esta sentença era anunciada em voz baixa, com algum mistério e temor místico. Era como se eu fosse uma espécie de mau agoiro.

Já ouvi vezes sem conta a pergunta: “Porque é que andas sempre de preto?”
Porque gosto, é a resposta. É claro que é pouco para satisfazer as pessoas, mas é a verdade. Gostariam, talvez, de me ouvir dizer que pertenço a uma tribo qualquer cuja “imagem de marca” é o preto.

Na verdade, acabo por me confundir com algumas dessas tribos e até imiscuir-me no meio delas fazendo amizades que perduram, mas nunca me quis conotar com nenhuma delas. Esta ligação acontece porque dentro destas tribos tenho encontrado das pessoas mais cultas, inteligentes e despretensiosas que conheço. É claro que não são todos assim e muitos são mesmo o oposto, mas em termos percentuais empíricos, são os meios onde encontro mais gente interessante.

Mas porque não adopto eu uma destas tribos?

Gosto imenso de pensar pela minha cabeça e ir seleccionando aquilo que me interessa sem ter que me agarrar à ditadura de um grupo. Já me chamaram de anarco-sindicalista e, talvez considerando (por falta de um profundo conhecimento da matéria) um pouco exagerado o epíteto, a palavra anarco agrada-me. Livre-pensador, outro epíteto que me colaram, soa-me melhor. Talvez por não trazer com ele uma carga tão pesada de interpretações.

Para além das pessoas interessantes que encontro nestas tribos, é a cor preta que me atrai. Também a contradição me atrai. Pensar que os “heróis” não têm que aparecer sempre de “branco”. Pensar que os “heróis” podem aparecer de preto.

Recordo-me que, por andar sempre de preto, um dia me classificaram como positive punk, classificação que não adoptei e facto curioso, os próprios ditos criadores do movimento também rejeitaram. Bom, já me classificaram como gótico ou metaleiro, mas, como sempre, rejeitei. Sim, gosto de siouxsie and banshees, bauhaus, napalm death… e depois? Também gosto de björk, radiohead, squarepusher… de pogues, negativland, harry connick jr… de adriano correia de oliveira, mão morta, mariza… de john zorn, nine inch nails, negativland… bom, podia ficar aqui a preencher linhas com nomes de bandas e músicos, mas o que interessa, para além de aqui divulgar alguns dos nomes que me agradam (e não são só os que mais me agradam), é dizer que me enriquece o facto de ter os meus horizontes tão alargados.

Um dia um professor, artista reconhecido, disse-nos que a cor que um pintor mais gasta é o branco. Pois, professor, mas no meu caso é o preto.

gatos

I tem oito gatinhos para dar! Haverá por aí alguém interessado em adoptar um ou mais gatos?

Li em qualquer sítio que os gatos é que nos adoptam a nós. Por isso vou reformular a pergunta.
Haverá por aí alguém interessado em ser adoptado por um ou mais gatos?

É! Soa melhor.

quarta-feira, agosto 27, 2008

o poder das palavras

Ainda há pouco I me dizia por sms: “O teu blog não tem nem 1/3 do bom que, muito provavelmente, tens para contar.”

E eu respondi-lhe: “Pois, mas eu não sou grande coisa na escrita ou pelo menos a mim não me satisfaz o suficiente.”

Como também lhe disse no sms de resposta, fui comer uma panqueca… hummm… com duas bolas de gelado e coberta de chocolate quente… mas o que eu quero aqui contar, é que no caminho fui a pensar na resposta que tinha dado.

Lembrei-me também de J, que me disse no comentário a “salad days II”: “Epá! Até que enfim que te vejo a escrever algo mais longo! Volta-e-meia "passo" por aqui para ver o que tens publicado e tenho notado as tuas longas ausências. Enfim, é a vida e de certeza que tens muitas prioridades antes disto.

Um abraço!”

Eu respondi por e-mail que: “É verdade, ando sempre ocupado com isto ou aquilo, mas também é verdade que muitas das coisas que poderia colocar no blog nunca chegam a ver a luz do dia. Umas por preguiça, outras por preguiça ;-)”

Neste recordar de palavras, deambulei pelas razões que me levam a não ser mais assíduo no meu blog. Duas das razões, ou devo dizer três, estão já expostas, mas existe pelo menos outra que me ocorreu no caminho para a geladaria. Falta-me “a arte e o engenho” para escrever. As palavras são perigosas, quando interpretadas de forma que não a intencionada por quem as diz ou escreve. Também por esta razão, “muitas das coisas que poderia colocar no blog nunca chegam a ver a luz do dia.” Talvez um dia perca o medo de ser mal interpretado e se não o perder, penso que também não se perde nada.

Não! Estou a mentir! No fundo, penso que cada um de nós tem sempre algo a “dizer” que vai ao encontro do que alguém gostava de “ouvir” e eu, não sou a excepção à regra.

Lembro-me agora dos tempos em que as minhas palavras foram cantadas em palco e escutadas na rádio e na tv. Um dia, num concerto, um fã veio ter comigo e disse-me: - Obrigado! As tuas palavras já me salvaram do suicídio duas vezes e sempre que me vem à ideia tal pensamento, coloco a gravação das vossas músicas para que se me afaste tal pensamento da ideia.

Fiquei sem palavras ou pelo menos sem a inteligência na palavra, já que balbuciei qualquer coisa que o jovem agradeceu mas que eu nem no momento escutei, tal foi o choque de descobrir o poder das palavras.

domingo, agosto 24, 2008

noite

A noite começou com troca de mensagens, mas… um banho e após o jantar um enorme gelado. Foi a partida para divagar sem destino e esperar pelo que ia acontecendo. Encontramos alguém conhecido e comenta-se que todos deitam os copos de plástico e as garrafas de vidro para o chão. Naturalmente, no dia seguinte, estarão de ressaca em casa a separar plásticos, papeis, metais e vidros como exige a consciência cívica. Separam tudo e olham com desdém para aqueles que lhes parecem inferiores, só porque nunca fazem a separação do lixo. – Então e os copos e garrafas que ontem largaram na rua? – pergunto eu! Mas não obtenho resposta.

O que é o destino – nova pergunta sem resposta. Mas encontrei-o, seja lá quem for ou tenha o aspecto que tiver. Neste caso surge-me numa noite inesperada e agradável. Encontro caras conhecidas e outras que também não, mas fico feliz por as ver.

Irrita-me o fumo de tabaco, mas aceito-o como fazendo parte de um acto social. Se quero conviver com os outros, tenho que conviver com o seu fumo. Não é condição sine qua non para o acto social, mas cada vez mais se torna num elemento importante na criação de novas redes sociais, bastando para tal observar as portas de entrada dos edifícios de escritórios e afins.

Em casa sento-me e escrevo.

sexta-feira, agosto 22, 2008

tenho um boato espalhado no bolso

Tenho um boato espalhado no bolso.
Verdade! Tenho mesmo ou tinha.

Ele começou por entrar no meu bolso como uma pequena bola de plástico… um pequeno ovo de plástico. Dentro, estava o boato.

Não sei porquê, mas resolvi mantê-lo por lá. O que eu nunca imaginei foi que ele iria chocar no meu bolso. Na verdade, se eu próprio estivesse no meu bolso penso que iria gostar. É confortável, agradável nos dias de Inverno e, uma ou outra vez, a minha mão quente entra no bolso e acaricia o que por lá se encontra.

É um bolso divertido, sempre cheio das mais diversas coisas que fazem companhia umas às outras. Estas coisas, aprendem umas com as outras na mais diversificada e cosmopolita troca de saberes e cultura. Posso dizer que é um bolso rico de conhecimento, porque a troca ou partilha de saberes e cultura, é a melhor forma de enriquecer qualquer cosmos.

Mas voltemos ao boato. Um dia, meti a não no bolso e descobri algo que não estava lá anteriormente. Eram duas metades de um ovo de plástico e um boato. Ele tinha nascido e eu fiquei perplexo!

Era uma coisa pequenina, insignificante, mas com uma força extraordinária. Sempre que eu dizia a alguém que tinha um boato espalhado no bolso, as pessoas ficavam curiosas e então, eu tinha que mostrar o pequeno boato que acalentava no bolso. Era extraordinário assistir a reacção das pessoas perante aquele ser minúsculo, preto e branco. A verdade é que só acreditavam na sua existência depois de o verem.

O boato acompanhou-me durante longo tempo, sempre no meu bolso, até que um dia cresceu e resolveu partir para seguir a sua própria vida. Sei que nunca abandonou a sua casca de origem e que até a transformou na sua habitação permanente. Hoje, ele e a sua casca encontram-se algures pela minha casa. De quando em quando eu encontro-o, sempre dentro da sua casca, não vá acontecer o caso de se perderem um do outro.

Lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que o vi e o meti no bolso. Foi numa manhã fria e escura de Inverno, andava eu sem destino e resolvi passar por um local que me é aprazível onde sei que encontro sempre pessoas interessantes. Foi nessa busca sem destino que eu o vi. Estava junto com outros ovos (pois na altura não passava de um ovo). Eu perguntei a N. o que era aquilo; se era um ovo. Ela disse-me que era um ovo. Fiquei sem argumentos. Era uma evidência factual que, mesmo sendo de plástico, se tratava de um ovo. A resposta que recebi é típica de N., pessoa que admiro e de quem gosto por este tipo de respostas concretas e eficazes, sem grandes hipóteses de se estender por um diálogo desinteressante. Olhei para os ovos e decidi guardar um no meu bolso, como memória de N. e das suas respostas consistentes. Estava assim feita a minha ligação com o boato.

quinta-feira, agosto 21, 2008

"capítulo XXI"

Conheci alguém que, com apenas algumas horas de conversa, deixou algo comigo que nunca pensei que pudesse ficar.

Na falta dessa pessoa e da sua voz, leio o capítulo XXI do principezinho. É o meu capítulo preferido.

aforismo

AA virou-se para mim e disse:
“Existe gente que prefere ter um animal de estimação como escravo, do que uma pessoa por companhia.”

Na verdade não sei o que quis dizer com tal coisa. Não sei se o que penso é o que quis dizer, mas deixo aqui para que se possa dizer o que se pensa.

quarta-feira, agosto 20, 2008

fluídos

Embora já me tenha convencido a nós próprio de que não sei escrever, de igual modo notamos que a escrita é algo que fluí através de mim com alguma naturalidade. Escrever, surge da produção de diálogos tidos entre nós próprio. As discussões tidas entre nós, dentro do meu cérebro, são imensas listas de inspiração primária que na maior parte das vezes não chegam a ver a luz do dia.

Uma ideia, nunca é passível de ser transmitida de uma forma perfeita. Só mesmo entre nós dentro de mim essa possibilidade existe.

sábado, agosto 09, 2008

terça-feira, agosto 05, 2008

salad days II

Madrugada de três de Março de dois mil e oito, pelas cinco horas e quinze minutos.

“Existem sensações/sentimentos que se repetem e que de repente deixámos de sentir.
Hoje acordei e comecei a sentir parte de uma dessas sensações/sentimentos perdidas. Era uma daquelas que me acompanhou nos dias inocentes da infância. Já ouvi descrições que se aproximavam daquilo que sentia e que dizem ser sintoma do nosso corpo em crescimento (?). Nunca consegui traduzir essa sensação/sentimento em pensamentos concretos ou, pior ainda, em palavras. Mas não será por não tentar que a descrição falhará.

Em criança, essa sensação/sentimento, traduzia-se num sentimento de pânico. No entanto, como muitos outros medos que tinha (o dos espelhos, por exemplo, ou mesmo o do escuro), viva-o de uma forma similar ao masoquismo ou seja, vivia-o enfrentando-o e sentindo o que de bom poderia ter dele. Apreciava particularmente a sensação física de me sentir infinitamente pequeno dentro do meu corpo. Paradoxalmente, sentia a infinita imensidão do meu corpo de uma só vez. Não sentia, agora os pés, depois as mãos, mais adiante a cabeça. Sentia-o todo de uma só vez. Quando chegava a esta fase, recolhia-me instantaneamente a um canto perdido do meu cérebro, sendo a sensação de hipervelocidade muito real e, sem paradoxos, a minha pequenez entrava em sintonia com o meu ser.

Esse canto perdido do meu cérebro tinha a forma infinitamente grande de um rectângulo. Neste, eu viajava quase incessantemente entre os cantos do mesmo. Curiosas eram as sensações que ia tendo. Num dos cantos eu podia ser uma partícula infinitamente pequena, áspera e com curvas concêntricas. Só consigo, para a descrever, ter uma imagem aproximada desta partícula quando penso em pedra pomes, embora esta não tenha a densidade correcta.

A melhor imagem que tenho para a descrever, são os desperdícios de metal numa fundição, não sei se é disso que se trata, mas caracteriza-se pela sua forma irregular, como se tivesse liquefeito a borbulhar e se solidifica-se instantaneamente, numa forma preta carbonizada, com as bolhas rebentadas como se de crateras se tratasse e uma densidade imensa o que lhe dá peso e dureza. Creio que já vi formas análogas à que estou a tentar descrever, em imagens microscópicas bidimensionais.

Quando era deslocado para o canto oposto, via-me transformado em matéria suave, antagónica à aspereza anterior, diametralmente oposto ao que pesava, e infinitamente grande, perdendo a noção do rectângulo. Tenho ainda mais dificuldade em descrever este estado, mas, muito grosseiramente, era como se de uma nuvem se tratasse. Compreendo agora que era de diferentes densidades que se tratava, como se comprimisse ou expandisse todo o universo, tornando-o numa massa infinitamente pequena ou infinitamente grande.

Hoje acordei com essa sensação. Foi presente, mas fugidia. Senti-a instantaneamente e involuntariamente uma pequena porção de vezes. Não tive o sentimento de pânico de outrora, apenas a sensação paradoxal de me sentir infinitamente grande e infinitamente pequeno, dentro do meu corpo.

Foi de novo, um vislumbre dos meus salad days.”

segunda-feira, julho 07, 2008

graffiti

É um facto que Graffiti não é um acto de vandalismo, quando muito é um acto subversivo e antes de tudo é arte. Também é verdade que muita coisa a que se chama Graffiti não passam de actos de vandalismo. Mas qual é a diferença entre os dois? É uma fronteira indefinida, como a fronteira entre Portugal e Espanha naquela vila, cuja nome não me recordo, que muda a linha divisória consoante os interesses dos seus habitantes. Ora um dia são espanhóis, ora no outro são portugueses. Mas voltando ao Graffiti, podemos ler na Wikipédia uma definição bastante aceitável em português ou uma definição mais completa em inglês.
Fiquemos então com estes três exemplos.




quarta-feira, julho 02, 2008

s. joão

Ando desaparecido, mas o trabalho assim o obriga e serve como uma excelente desculpa para por aqui não passar. Hoje, apenas deixo imagens do fogo de S. João. Na verdade, do local onde me encontrava, apenas conseguia ver um pequeno pedaço de céu.



















quarta-feira, maio 28, 2008

L.

A si L., a minha singela homenagem. Obrigado.

terça-feira, abril 22, 2008

a menina com olhos de janela

Era uma vez uma menina muito bonita. Aparentemente não tinha nada, mas na verdade a menina tinha um pequeno problema. Invés de fruir de dois olhos como todas as outras pessoas, a menina possuía duas janelas no seu lugar. Esta situação era um pequeno embaraço porque a menina tinha que andar sempre com uns grandes e redondos óculos escuros, minimizando assim o problema. No entanto as pessoas começaram a achar estranho a menina nunca tirar os óculos, fizesse sol ou fizesse chuva, fosse dia ou fosse noite.

Certo dia, alguém se lembrou que aquela situação não podia continuar assim, pois aqueles óculos escuros escondiam alguma coisa de mal. Talvez os olhos da menina lançassem feitiços ou pior ainda, raios fulminantes como aqueles dos filmes de ficção científica com monstros extraterrestres e robôs.

- Isto tem que acabar – disse alguém – hoje vamos tirar-lhe os óculos da cara!
Assim, todas as pessoas se juntaram e quando a menina saiu de casa, agarraram-na e tiraram-lhe os óculos.
Ahhh! – exclamaram todos – Mas tem janelas no lugar dos olhos!

Logo houve alguém que notou algo extraordinário. Através das janelas via-se a própria alma da menina. – Olhem, vê-se a alma da menina!

Todos olharam e o que viram era bonito, ainda mais bonito do que a menina. Via-se tudo o que existe numa alma e ficava-se a conhecer a menina totalmente, ficava-se a saber que a menina era bondosa e não tinha maldade nenhuma dentro dela.

O que ninguém se lembrou é que as janelas antes de servirem para ver para dentro, servem para ver para fora. Isto significava que a menina via através das suas janelas as almas de todas as outras pessoas e por vezes até tinha medo do que via e virava a cara para o lado, chegando a sentir horror.

De repente alguém se lembrou: - Mas as janelas antes de servirem para ver para dentro, servem para ver para fora!
- É verdade? – perguntou alguém à menina.
- Sim, disse a menina, basta olhar para dentro dos vossos olhos como vocês olham para dentro das minhas janelas. Afinal os olhos são as janelas da alma.
De imediato, todos ficaram muito envergonhados e a olhar uns para os outros. Largaram a menina e aos poucos, mas rapidamente, voltaram para casa.

No dia seguinte, quando a menina saiu de casa, já não era uma estranha no meio da multidão, pois todas as pessoas usavam uns grandes e redondos óculos escuros.

terça-feira, janeiro 22, 2008

situações

Chega o metro à paragem, ainda em desaceleração, e reparo num "personagem", daqueles pitorescos, que em todas as cidades se podem encontrar. Era homem para ter os seus 60 anos, usava um barrete vermelho e branco, o que o destacava no meio dos outros passageiros.

Entro e encosto-me à porta oposta à da entrada, ficando de frente para o lugar onde viajava o nosso amigo. Este, orgulhosamente, segurava uma bandeira do Leixões e trazia amarrado ao seu braço um cachecol do mesmo clube. Era um indivíduo de cara marcada pelo tempo, onde rios de lava tinham cavado fortes vincos e deixado um bronzeado notável. Tudo levava
a crer tratar-se de um homem do mar.

Não tardou muito a confirmar-se a minha suspeita. O homem dirige a palavra para a jovem que viajava sentada à sua frente e pede-lhe para segurar, por favor, na preciosa representante do clube. A jovem, talvez um pouco embaraçada pela abordagem feita de uma forma pouco comum ou pela suspeita do carácter peculiar do homem, segurou na bandeira pelo topo e apenas com dois dedos como se de uma pinça se tratassem.

O homem dobrou-se , metendo a mão na saca que jazia a seus pés. Ao retirar a mão, ergueu-a e exclamou numa voz rouca: - Sardinha do nosso mar.
Na sua mão era bem visível, a espreitar entre os dedos, espécimes do tão bem anunciado peixe.

Sem dúvida, este era um homem digno e orgulhoso dos seus ídolos: o Leixões e o Mar.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

má direcção

Vi uma notícia na televisão que se referia à tentativa de agressão a um director desportivo do Belenenses. Fiquei surpreendido com o fanatismo das pessoas.

Penso que tal fanatismo está mal direccionado ou melhor, a tentativa de agressão está mal direccionada. É um gasto de energia mal empregue.

O que penso na verdade, é que esta raiva deveria ser dirigida aos governantes deste país (deputados incluidos). Estou mesmo a imaginar as pessoas a fazer esperas aos nossos ministros, secretários de estado e deputados para lhes arrear com umas guarda-chuvadas bem dadas.

É bonita a imagem que tenho no cérebro. Será que para evitar tal tratamento os políticos começavam a andar na linha? Será que os nossos deputados pediam para lhes cortarem algumas das muitas regalias que têm? Será que pediam para reduzir o número de deputados para tentar equilibrar as contas do estado?

Realmente sou um alienado ou imaginar políticos que não são seres abjectos, que não são alimárias.

domingo, janeiro 13, 2008

escrita automática

Soltem-me os anjos como cães raivosos,
porque de fantasias eu não tenho medo.
As musas, como raivosas meretrizes,
atacam tudo que ande, gatinhe ou rasteje.
Do lado de lá da rua os alucinados flamejam
e com eles serpentes de ferro e aço combatem,
os jogos de palavras, com amor.
Os automatismos na escrita abrem percepções.

futebol e língua portuguesa

Alguém me alertou para a pouca defesa da língua portuguesa no site da primeira liga de futebol portuguesa (será?).

Na realidade, eu não dou tanta importância como isso ao futebol, mas também não sou um fanático anti-futebol. Uma coisa eu sei! O futebol é um fenómeno sociológico que interessa a uma grande parte da sociedade portuguesa. Ora se assim é, deveria haver mais controlo sobre o que se escreve num site que é dedicado, entre outras, à primeira liga de futebol portuguesa (?). Afinal devem ser muitos os que o consultam e, consultar algo bilingue como é este site, não é muito pedagógico. Mas também, quem é que está preocupado com isso?... Bom, eu pelo menos estou.

Consultem a classificação e digam-me o que significam as letras no topo da tabela classificativa.

Ou vejam as estatísticas nos detalhes de um dos jogos.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

2008


Porto, Ribeira - Concerto de ano novo.


Porto, Ribeira - Concerto de ano novo.


Porto, Ribeira - Está-se Bem.

2007


Geradores eólicos (ou como eu gosto de chamar - Ventoínhas).


Geradores eólicos (ou como eu gosto de chamar - Ventoínhas).


Luzes e movimento.


Luzes e movimento.


Luzes e movimento.

domingo, dezembro 02, 2007

pasmo

Hoje, num bar, ouvi a amiga de uma amiga minha dizer-lhe: - Agora que estou grávida posso abusar um bocado e aproveitar a situação. Estou deitada no sofá e digo-lhe a ele que me apetecia, uma torrada, por exemplo, e ele levanta-se e vai fazer a torrada. Por vezes nem tenho muita vontade, mas tenho que aproveitar.

Eu fico pasmado, pois antes da G. me deixar eu realizava-lhe esses desejos e ela nunca esteve grávida nem precisava, para que eu lhe satisfizesse esses pequenos caprichos. Custava-me tanto a mim como custaria a ela, levantar-se e ir pegar o que queria, mas sempre pensei que satisfazer-lhe essas vontades era uma prova de amor e afecto. Nunca esperei que ela fizesse o mesmo por mim. Acredito que se eu estivesse à espera de igual tratamento em troca do que eu lhe dava, não seria uma prova de amor mas sim uma troca de favores.

sexta-feira, novembro 30, 2007

felicidade

Num destes dias de verão, fui com uma amiga que eu muito prezo, comer um gelado numa famosa geladaria do centro da cidade. A geladaria, ainda com a sua, agora actualizadíssima, decoração anos 70, é uma das minhas preferidas, não pela dita decoração, já que não me revejo em movimentos retro, mas pela qualidade dos seus gelados, que é afinal o mote do estabelecimento.

Enquanto degustava o meu gelado com um comprazimento infantil, levantei os olhos e notei que a minha amiga me observava com um sorriso de felicidade no rosto, um sorriso que era não só demonstrado pela sua boca, mas por todo o seu rosto com particular efusão dos seus olhos. Era um verdadeiro sorriso de felicidade, um daqueles sorrisos contagiosos que nos deixam também a nós quentinhos por dentro, tamanha é a felicidade irradiada.

Isto é a felicidade! Não esperar nada e de repente ver num sorriso um sentimento ao qual não conseguimos escapar. Vale a pena estarmos vivos e atentos para chocarmos, sem contar, com o sentimento de felicidade.

Ando quase sempre acompanhado da máquina fotográfica e tenho pena de não ter captado aquele sorriso, mas por outro lado prefiro mantê-lo na memória de onde dificilmente se desvanecerá e onde, com o tempo, será cada vez mais enriquecido.

domingo, novembro 18, 2007

ouvir um pouco de música: Trent Reznor, Jeordie White, Peter Murphy










quinta-feira, novembro 15, 2007

sem muito para dizer

Não, não abandonei o meu blog, pura e simplesmente, e até ao final deste mês, não vou ter grandes hipóteses de colocar grande coisa por aqui.

terça-feira, setembro 25, 2007

TIC

De novo sinto revolverem-se-me as entranhas!

Dois assuntos: as aulas de TIC para os 7º e 8º anos, em detrimento do 10º ano; a prevista escolaridade obrigatória até ao 12º para 2009.

O vulgar cidadão não se apercebe como é promiscua esta troca pois, para ser breve na explicação e deixar quem me lê a pensar, a realidade é que acabou a disciplina de TIC no 10º ano e não foi criada nos 7º e 8º anos. A disciplina foi na verdade encapsulada numa disciplina já existente a que se chama Área de Projecto (AP). Com esta mudança, os nossos governantes matam dois coelhos com uma cajadada só. Parecem preocupados com a qualidade do ensino, que cada vez mais desprezam, e retiram lugares aos professores de TIC. Isto acontece porque qualquer professor pode dar AP, visto não ser necessário uma especialização qualquer por parte dos professores para a leccionar. A promiscuidade começa logo a surgir aqui, quando a senhora ministra (ou deverei dizer sinistra?), resolve encapsular as TIC na AP. É que para além do que atrás foi escrito, ao não ser exigido aos professores saberem informática (e muitos não sabem nada) , estes, como é óbvio, não darão TIC na AP. Mas parece-me que ninguém está preocupado com isto.

A escolaridade obrigatória até ao 12º, trará muitas maleitas. A que é mais falada no seio dos profissionais da educação é que: se os alunos já são indisciplinados e faltam demasiado às aulas, vai ser ainda mais difícil controlar alunos quase na idade adulta ou mesmo já adultos. Alguns professores já temem esse dia. A maleita que a mim me parece ser pior é o perigo de se colocarem crianças junto com novos adultos. Não tardará com certeza daqui a alguns anos e após a entrada em vigor da escolaridade obrigatória para 18 anos, aparecerem pais a queixarem-se que determinado aluno ou alunos, maltrataram as suas filhas.

segunda-feira, setembro 10, 2007

sentimento

Sim, por cá também há musas e isto faz-me lembrar porque é que tenho orgulho em ser português... por vós.


quinta-feira, julho 26, 2007

duas musas

Aqui estão duas mulheres admiráveis que eu gostava de conhecer pessoalmente.
Sei lá... talvez um dia.
:)




ok, agora silêncio que vamos ouvi-las.


sábado, julho 21, 2007

o estado da nação

Penitencio-me, por, embora não totalmente alheio, não dar a importância devida à política portuguesa, mesmo sendo apelidado pelos amigos de anarco-sindicalista. Aconteceu ontem o debate do estado da nação e entre tudo o que foi dito e que pode facilmente ser visto, lido ou ouvido em qualquer meio de comunicação social, uma das questões que me preocupou, foi, não o que se disse, não o que ficou por se dizer, mas um certo “estou-me a borrifar”. Esta atitude, pode ser presenciada no parlamento e protagonizada pelos senhores que são pagos pelos meus suados impostos. Enquanto decorria o debate, pode-se presenciar gente a conversar, gente ao telemóvel, gente que pura e simplesmente abandonou o recinto que, entenda-se, é o seu local de trabalho. Que competência, tem esta gente para governar?


Sou eu, entre muitos outros portugueses, que pago o salário a estes senhores e gostaria de através deste singelo blog, propor a alteração das regalias destes maus funcionários públicos (afinal sempre existem) e o despedimento por justa causa de alguns deles. Para além disto, proponho também a redução do número de deputados para metade, visto que, mesmo sem dados concretos, acreditar ser essa a percentagem de presenças médias, mas, mesmo que não seja este o valor, sempre se reduz o número de incompetentes, acreditando que existem alguns que sempre vão trabalhando. Com esta redução no número de deputados, estaríamos a poupar imenso dinheiro aos cofres do estado. Também estaríamos deste modo, a reduzir o número de futuras reformas chorudas, o que, uma vez mais, se iria manifestar na melhoria das contas públicas.


Com os exemplos dados por estes senhores que se ausentam, sem pejo nenhum, do seu local de trabalho, como poderão os portugueses ser mais produtivos? Os exemplos que os portugueses têm e que vêm entrar-lhes pela casa dentro através dos seus aparelhos receptores de TV, entre outros meios de comunicação social, são magníficos para se desculparem da sua própria apatia na melhoria deste país. Quando os deputados de uma assembleia da república se estão borrifando para o estado da nação, como querem que os portugueses se manifestem? Eu sei. Não é através da grande taxa de abstenção em actos eleitorais, mas sim através da presença maciça nesses actos, altura em que nos é dada a oportunidade de expressar o nosso sentir, e através do voto em branco, manifestando assim a indignação para com aqueles que não merecem cada centavo do seu ordenado.


Questiono-me: o que aconteceria se eu me ausentasse sem razão aparente do meu local de trabalho?

quarta-feira, julho 11, 2007

alimárias

Fui apanhar o metro.
O metro chega.

Ao entrar, deparo-me com uns novos primitivos com o seu aspecto
rasta, tribal característico, produto de modas contemporâneas. Estes, usurpavam a maior parte do espaço público da entrada. Tive, para entrar, que esticar as pernas e avançar sobre as diversas coisas espalhadas pelo chão; mochilas, sacos, ipods e os próprios primitivos. Tudo isto se encontrava espalhado de uma forma ostensiva e não porque não houvesse espaço.

Um pensamento de imediato me ocorreu: "é fixe, ser um gajo muito cool, um espírito livre, principalmente quando não se respeita a liberdade do semelhante, quando se tem dinheiro para correr o mundo, ter as mochilas cheias de etiquetas dos vários aeroportos por onde se passou, pertencer a uma tribo num país quase desenvolvido e não passar fome em África.

A partir desse momento, e inquinado que estava pelos meus pensamentos, a conversa deles metia-me nojo. Pensar que pessoas destas pregam ideais contrários às suas acções, desrespeitar os outros em nome da sua própria (pseudo)liberdade. Fazem-me lembrar déspotas e os seus conceitos de respeito pelos seus semelhantes. Só porque vinham do aeroporto é que não traziam os cães com que costumam fazer-se acompanhar para mostrar, talvez, alguma humanidade que não têm. No fundo eram e não passavam de umas alimárias.

terça-feira, junho 19, 2007

com um pouco mais de tempo

Começo agora a usufruir de algum tempo quase livre.
Este foi suficiente para passar duas boas noites na companhia de amigos.
Na primeira entre muito riso, J. afirmou que estávamos a dar-lhe cabo da reputação de pessoa mal-humorada.
Na segunda, esqueci-me de levar a preciosa máquina fotográfica para a qual estive a carregar as baterias. Em consequência de tal esquecimento, não tive oportunidade de registar um dos momentos altos da noite, no entanto o P. M. registou. Podem ver no seu blog esse, pouco vulgar (penso eu) e curioso, momento.

terça-feira, maio 29, 2007

sem tempo para nada

É mesmo, estou sem tempo para nada, mas prometo voltar em meados do mês de Junho.

quinta-feira, maio 17, 2007

sopinha de letras

Tenho estado em frente do computador a escrever, uma média de 12 a 13 horas diárias. Quando os amigos me contactam e me perguntam como estou, eu respondo que tenho os olhos em sopinha de letras.

segunda-feira, maio 07, 2007

eu estive lá!

Na passada quinta-feira, tive a felicidade de assistir a dois eventos acontecidos um ao lado do outro, respectivamente no Passos Manuel e nos Maus Hábitos.
O primeiro, foi o concerto dos Ready-Made In China e o segundo o evento - The Esemplasm - collective improvisational freakout open to all apresentado por Len Massey.
Pessoalmente preferi o segundo, talvez por culpa da minha costela 77.


Ready-Made In China










The Esemplasm















domingo, maio 06, 2007

Fénix

Saiam da frente, a Fénix está a renascer.

terça-feira, maio 01, 2007

o que eu escrevi II

Tirado ainda dos meus antigos escritos:

"Sempre pensei que Novembro fosse um mês grande!

Ele, sentado, ouvia música e o gato namorava-o enquanto ia dormindo sobre o braço dele. De repente, o gato desperta e olha para a planta que repousa sobre o vaso. Algo tinha acontecido! Talvez a planta que mexe se tivesse mexido.
Ele olhou para o gato, olhou para a planta e disse:
- Vai lá falar com ela. E o gato foi."

"O gato e a planta, como de costume, falavam de coisas sérias. Questionavam-se se a pintura teria acabado ou não. Um dizia que sim, que se não há inovação não há pintura e o pintar por pintar não é pintura. Dizia que a pintura tende a satisfazer um desejo pessoal, o desejo de se opor à sociedade, de se sentir único. Mas isto não é inovador, desde que se destruiu o passado, não existe inovação (futuro?).
O outro, por seu lado, acredita que a pintura está temporariamente adormecida e que a inovação não é a razão de ser da pintura. Quanto ao desejo do artista se opor à sociedade, aparece, não através da crítica ou da oposição, mas sim da indiferença ou seja, alienando-se da sociedade. Para este, a divisão do tempo em passado, presente e futuro, deixou de existir, hoje só existe o presente que assimilou já o passado e o futuro.
Eu não sei se deva acreditar no Galileu, mas que a terra é redonda, ai lá isso é."

segunda-feira, abril 30, 2007

o que eu escrevi

Estava a fazer umas arrumações e encontrei um dos meus bloquinhos,... um dos antiguinhos. Pus-me a folheá-lo e fiquei com vontade de transcrever algumas das coisas que escrevi e que por lá estão.

"Aprendo mais ao reconhecer a minha ignorância do que..."

"Que somos nós neste mundo?
Nada mais do que pedaços de carne
atirada aos cães!"

"É tão bom estar-se vivo!
De manhã levantamo-nos e vestimo-nos,
à noite despimo-nos e deitamo-nos,
nascemos estúpidos e morremos estúpidos."

"Cortei os fios que me prendiam os olhos à testa e adormeci."

quarta-feira, abril 25, 2007

ritmos

Hoje acordei fascinado com ritmos urbanos e não só...


drum street


chicago street drummers


4 year old djembe drummer


2 year old djembe drummer...


amazing human beatbox


beat box - nouvelle star

segunda-feira, abril 09, 2007

humano, demasiado humano

A tomada de consciência, para Vygotsky e os seus seguidores, é o estado supremo do Homem, é aquilo que o diferencia dos outros animais, os chamados irracionais. Os actos espontâneos de um humano, aparecem quando este último não toma consciência da acção que está a executar, estando dessa forma a aproximar-se dos outros animais. Pelo outro lado, a tomada de consciência vai provocar actos intencionais da consciência, afastando desse modo os actos espontâneos. Diz Vygotsky, que a tomada de consciência implica os denominados processos mentais superiores, onde as acções são conscientes, controladas ou voluntárias, envolvendo memorização activa seguida de pensamento abstracto.

Neste momento, estou a passar pelo cessar de uma relação conjugal e digo estou a passar porque embora a relação já tenha terminado, vemo-nos obrigados a partilhar o mesmo apartamento. A partilha do espaço é pacífica mas alguns dos meus amigos dizem-me que não aguentavam estar na situação em que me encontro, pois já teriam explodido ou seja tomado atitudes espontâneas. Eu, estou consciente dos resultados menos bons de atitudes espontâneas e assim, tomo consciência dos factos e reajo intencionalmente refreando os actos espontâneos. A própria G. diz que eu sou muito ponderado. Eu, diria que sou humano, demasiado humano.

promoção pessoal

G, disse-me no dia em que resolveu terminar com a nossa relação conjugal, que sou a melhor pessoa do mundo, que nunca mais encontrará outra pessoa como eu e que, ao dar por finda a nossa relação, está a cometer um erro.
Bom, estas palavras fazem-me sentir como uma espécie de 1º prémio do euromilhões. Sendo assim faço uma pergunta de retórica: G, se te saísse o euromilhões deitarias o dinheiro ao lixo?

quinta-feira, março 22, 2007

...

fazer construções
a partir de nada,
fazer construções
de prazer.

e se a vida tivesse genérico

... lembro-me de um trabalho de faculdade, no caso era um pequeno filme de ficção, onde eu e os meus colegas decidimos, para além dos agradecimentos habituais, colocar dois agradecimentos às dificuldades concedidas pelo órgão de gestão da faculdade e por um outro grupo de trabalho de colegas nossos que tiveram a amabilidade de nos apagar um dos planos filmados.

Mas todos os dias existem dificuldades concedidas por alguém, só não existem genéricos onde se possam fazer os devidos agradecimentos... mas existem blogs :-).

Aproveito então para agradecer a todos os meus amigos e família pelas facilidades concedidas no meu dia a dia. Agradeço também pelas dificuldades concedidas, a quem mas tem facultado no meu dia a dia. A ambas as partes o meu obrigado, aos primeiros porque vos prezo, aos segundos porque o que não mata fortalece.

segunda-feira, março 19, 2007

escrita automática

Não me peçam explicações para a frase que vou transcrever ou reescrever, mas no entanto, não resisto a dar uma pequena explicação que talvez vos ajude a chegar às vossas próprias conclusões, tal como eu cheguei às minhas.

Tenho que aproveitar todos os momentos para trabalhar e como tal, não raras vezes, vou para a cama com o portátil (nos dias que correm deveria dizer, - á falta de melhor ;-) ). Hoje, ao recomeçar o trabalho que estava a realizar ontem em vale de lençóis, deparei-me com esta frase que me deixou perplexo:

"4.1 – Como elemento diferente à FBAUP, o wiki pode trazer mais valias, pois aproximam-se nuvens."

De novo rogo para que não me peçam explicações pois eu não as tenho para dar a não ser que a frase não faz sentido nenhum, mas isso é óbvio. Talvez acrescente que a capacidade humana para criar em situações limite, como é a de alguém a cair de sono, é extraordinária, imprevisível e surpreendente.

terça-feira, março 13, 2007

"salad days"

Por vezes, em momentos de pausa, sinto no ar o cheiro dos meus "salad days". Eles aparecem-me visualmente como dias de sol, onde a ociosidade é deleitante.
Na verdade, penso que esse é o desejo mais íntimo de qualquer um, o ócio e o deleite. Ter espaço para pensar no que se pode fazer com tanto tempo e não fazer nada. Ficar ali... apenas a existir.

quinta-feira, março 01, 2007

educar para o futuro

"Vês, meu filho, eu não te disse que andar nos carrinhos de choque era divertido!"

ou

"Quando o meu filho não consegue dormir, meto-o no carro e vou dar uma voltinha. É remédio santo!"

Estão convidados a criar, através dos comentários, novas legendas para a imagem





quinta-feira, fevereiro 15, 2007

o toque de Midas

Vi-a no metro. Não há palavras para a descrever. Talvez só dizer que era uma mulher jovem que aparentava ser muito mais velha por estar severamente estigmatizada pela vida. Tinha a cara visivelmente marcada por alguns “mimos” menos amistosos e esforçava-se em vão por não adormecer. O que é certo é que sempre que fechava os olhos e adormecia, transpirava paz e mesmo alguma beleza que se escondia por detrás do rosto ferido. Ninguém se aproximava dela, não só pelo aspecto das suas vestes demasiado sujas e do casaco com que se cobria, protegendo-se desse modo do frio, mas sobretudo pelo cheiro que era intenso, próprio de quem não toma um bom banho e não veste roupa lavada há alguns meses.

O sentimento que nutri por esta pessoa é aquele que nutro sempre que vejo alguém realmente infeliz. É o desejo de ter o dom do toque de Midas. Não para transformar em ouro tudo aquilo em que tocasse, mas sim para tornar felizes todos aqueles que fossem por mim tocados.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

um olhar...

Um olhar, inesperadamente cruzado, através do buraco efémero aberto entre a multidão.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

relações efémeras

P., um conhecido meu, manifestou uma opinião pessoal interessante.
Nos dias de hoje, - diz ele - as pessoas partem de ânimo leve para uma relação a dois, já com a ideia de que a qualquer momento podem sair da relação como se sai a meio de um filme do qual não se está a gostar.
Pensamento interessante este e que, mais uma vez, caracteriza a sociedade contemporânea, onde quase tudo é efémero.

sábado, janeiro 13, 2007

conceito de liberdade (parte II)

Exige-se uma explicação para a definição de liberdade proposta anteriormente ou, pelo menos, exige-se saber como apareceu.

Este pensamento de liberdade, aparece como oposição aquilo em que se tornou o trabalho e quando digo trabalho, falo de
meio de subsistência. Acredito que o trabalho se transformou numa nova forma de escravatura. Esta escravatura é notória através do medo que os indivíduos, pertencentes ao proletariado, têm de perder o seu meio de subsistência.

Este medo, leva a que os indivíduos, trabalhem para além do horário normal de trabalho, sem no entanto serem remunerados por tal. O facto de muitas destas pessoas não possuírem um contrato efectivo de trabalho, provoca um medo ainda maior que, caindo no exagero, diria roçar o pânico.

Acredito que o isolamento a que a sociedade se tem entregue e a descrença nas entidades de defesa de colectivos, refiro-me não só a partidos políticos, mas também a sindicatos e associações de defesa de colectivos, ajuda o colectivo patronal, a começar pelo Estado, a aumentar a pressão sobre os empregados. Acredito mesmo que o Estado, com medidas como por exemplo, os recibos verdes, acaba por ser um, senão o, principal promotor das injustiças laborais hoje existentes. De referir ainda, que a descrença nas associações de defesa de colectivos, advém sobretudo da inércia por estas demonstrada.

Gosto de pensar pela minha cabeça, de analisar o que me rodeia e chegar às minhas conclusões, mesmo que partam de ideias empíricas, formuladas a partir do meu senso comum. É com algum orgulho que revejo, à posterior, as minhas ideias coincidirem com teorias fundamentadas. Neste caso, ouvi o ex-reitor da Universidade de Lisboa, José Barata Moura, dizer qualquer coisa como - Em termos sociais, recuamos para o século XIX, ao período anterior aos grandes movimentos e revoluções sociais.

Se pensarmos bem, são sinais deste tempo, onde os revivalismos são uma constante, revivalismos que, no meu entender, não passam de buscas de uma sociedade desesperada, pelo El Dourado do bem-estar que nunca existiu. O que sempre existiu e me parece esquecido, foi a revolta e capacidade de lutar contra as injustiças sociais e o mal-estar comum.

Mas isto são dinâmicas que
não se querem, pois a sociedade contemporânea, alimentada por falsas promessas de lazeres cada vez mais distantes, atrofiou na sua capacidade de reacção e entorpeceu-se, caindo numa inércia profunda onde o simples acto de respirar se tornou um sacrifício, não só pela preguiça, mas também por atrofiamento muscular.

conceito de liberdade

Liberdade, é não ter que pôr o despertador a tocar.

terça-feira, janeiro 02, 2007

telemóvel ou telepraga

tenho telemóvel há relativamente pouco tempo por isso já posso dizer que pertenço ao grupo de pessoas que têm telemóvel. Mas o que significa isso?
Significa que pertenço ao grupo dos que nunca chegam atrasados aos encontros... ou estão a chegar ou vão a caminho.