Sou um feixe de luz branca que atravessa o negro universo, sempre em linha recta. Neste momento bati num prisma e fui dividido nas várias cores do arco-íris. É difícil pensar assim, quando nos sentimos dispersos, inebriados com a beleza da sinfonia de cores, mesmo que estas não sejam a nossa cor. É difícil pensar assim, quando nos sentimos fragmentados no pensamento, quando este se divide em razão, emoção e sei lá quantas mais parcelas são.
Necessito tornar-me uno de novo e esse, é o caminho que estou agora a percorrer. Necessito orientar as cores e uni-las de novo em branco para continuar a travessia do belo e negro universo. Na verdade não sei se sou a luz, o universo ou ambos, mas as cores sei que não sou.
As cores são o comprazimento infantil, são o engano que nos turva a mente. Envolvem-nos na felicidade que nos impede de virar as costas e sair da caverna. Não nos deixa ver em pleno a luz, mas apenas as suas refracções.
As cores são Sísifo em pleno labor. Não nos levam a lugar nenhum. Não nos deixam seguir uma única direcção. Dão-nos várias opções que nos encantam. Perdemos toda a determinação e ficamos perdidos num mar de hipóteses sem escolha, que nos podem levar à loucura.
segunda-feira, setembro 29, 2008
temporariamente perdido
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salad days IV
Um dia perguntaram-me se já tinha roubado alguma coisa. Fiquei calado por uns instantes e finalmente respondi: - Não sei,... não me lembro,... mas com certeza que sim.
Fui para casa com essa dúvida na mente. Como me ia encontrar de novo com a pessoa que colocou a questão, decidi nessa noite roubar um copo num bar. Depois do sucesso do acto, como se tivesse ligado um interruptor e se acendesse uma luz, lembrei-me que, durante a minha adolescência, de facto já tinha roubado algumas coisas sem expressão. Dessas, aquelas de que mais memória tenho são:
- flores, que juntamente com os meus amigos de infância roubávamos para depois as vendermos. Com o dinheiro comprávamos gelados.
- espigas de milho que, de novo com os meus amigos, assávamos e comíamos.
Coisa curiosa de que me lembro, era de não ter jeito nenhum para roubar e, por essa razão, os meus amigos punham-me sempre de vigia, quando o acto assim o exigia.
Encontrei-me de novo com a pessoa que tinha colocado a questão e disse-lhe que tinha roubado um copo que me fez lembrar outras coisas anteriormente roubadas.
Porquê o lapso de memória. Penso estar justificado no facto de ser um acto praticado tão despreocupadamente, tão cândido,… era como se a ele tivéssemos direito.
Nunca mais comi milho tão saboroso.
Fui para casa com essa dúvida na mente. Como me ia encontrar de novo com a pessoa que colocou a questão, decidi nessa noite roubar um copo num bar. Depois do sucesso do acto, como se tivesse ligado um interruptor e se acendesse uma luz, lembrei-me que, durante a minha adolescência, de facto já tinha roubado algumas coisas sem expressão. Dessas, aquelas de que mais memória tenho são:
- flores, que juntamente com os meus amigos de infância roubávamos para depois as vendermos. Com o dinheiro comprávamos gelados.
- espigas de milho que, de novo com os meus amigos, assávamos e comíamos.
Coisa curiosa de que me lembro, era de não ter jeito nenhum para roubar e, por essa razão, os meus amigos punham-me sempre de vigia, quando o acto assim o exigia.
Encontrei-me de novo com a pessoa que tinha colocado a questão e disse-lhe que tinha roubado um copo que me fez lembrar outras coisas anteriormente roubadas.
Porquê o lapso de memória. Penso estar justificado no facto de ser um acto praticado tão despreocupadamente, tão cândido,… era como se a ele tivéssemos direito.
Nunca mais comi milho tão saboroso.
domingo, setembro 28, 2008
AA disse-me:
AA disse-me:
“as pessoas para quem temos menos paciência,
as pessoas para quem temos menos tolerância,
as pessoas a quem acabamos por magoar,
são aquelas que mais amamos.”
Porquê?, perguntei eu!
“Porque são aquelas perante as quais colocamos as nossas fraquezas a nu,
são aquelas com quem nos sentimos mais à vontade, mais em segurança,
são aquelas de quem esperamos sempre a infinita compreensão.
O melhor é explicar-lhes sempre o porquê das nossas atitudes.”
“as pessoas para quem temos menos paciência,
as pessoas para quem temos menos tolerância,
as pessoas a quem acabamos por magoar,
são aquelas que mais amamos.”
Porquê?, perguntei eu!
“Porque são aquelas perante as quais colocamos as nossas fraquezas a nu,
são aquelas com quem nos sentimos mais à vontade, mais em segurança,
são aquelas de quem esperamos sempre a infinita compreensão.
O melhor é explicar-lhes sempre o porquê das nossas atitudes.”
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televisão
Vejo muito pouca televisão, muito pouca mesmo, resumindo-se praticamente às notícias da manhã, enquanto tomo o pequeno-almoço. Mas esta semana liguei a televisão enquanto jantava. Estava a dar um episódio da anatomia de Grey. Nunca tinha visto, embora já tivesse ouvido falar sobre a série. O episódio era uma espécie de resumo de todo o enredo da série, apresentado por um dos personagens e de uma forma temática. Uma das coisas que me chamou a atenção foi a referência à banda sonora. Aqui está o excerto dessa parte do episódio. Tenho pena de não saber qual era o episódio para aqui deixar o registo.
hoje fui ao teatro com I…
Hoje fui ao teatro com I… antes de entrar e ainda na rua, por causa da lei do tabaco, fomos abordados por um auto-intitulado guna.
Dizia ele que tinha chapéu porque era guna. Não duvidamos e começamos mesmo a suspeitar que o indivíduo, ligeiramente embriagado, poderia explodir a qualquer momento para uma situação por nós indesejada. Mas não!
Ele, entre as confissões da sua frustração numa situação passada com um casal de amigos do coração, recém-casados, pedia insistentemente para passarmos, depois do espectáculo, pelo café onde ele estava com os amigos, a meia dúzia de metros ao lado do teatro. Dizia que desejava ir ao teatro, mas queria saber se a peça valia a pena. I perguntava-lhe porque não ia ver a peça e ele dizia que queria saber se a peça era fixe. Dissemos-lhe que como ainda não tínhamos visto, ainda não lhe podíamos dizer nada. Ele pediu para lhe dizermos no fim, mas também dizia que já tinha perguntado a outras pessoas e todas lhe disseram que a peça não prestava.
Quando a peça acabou, saímos e vimos o Cândido, lembro-me agora de ele ter dito o seu nome, com os amigos. Pareceu-me ainda mais embriagado que anteriormente. Decidimos que o melhor era não ir ter com ele e seguimos o nosso caminho no sentido contrário.
Bom Cândido, “mentiram-te”. A peça era muito boa.
A peça é “Persona”, de Ingmar Bergman apresentada por “as boas raparigas…”, no “Estúdio 0” (mais informações em http://estudio0.blogspot.com/).
Aconselho a ver. Está em cena até ao próximo dia 2 de Novembro.
Gostei da representação das actrizes e das soluções de encenação. Achei que uma ou outra passagem de som, não estava lá muito bem conseguida, mas nada que comprometesse a peça. As luzes, não sendo o melhor da encenação, tinham momentos muito bons. A cena final e a confissão da enfermeira, foram para mim os momentos mais marcantes, cheios de força e muito bem representados.
Já os momentos menos conseguidos, foram as cenas iniciais, onde as personagens ficavam imóveis, o que me pareceu demasiado artificial, sobretudo a enfermeira pois a outra personagem era a enferma que se encontrava na cama. Ainda bem que tal situação só aconteceu uma ou duas vezes.
Dizia ele que tinha chapéu porque era guna. Não duvidamos e começamos mesmo a suspeitar que o indivíduo, ligeiramente embriagado, poderia explodir a qualquer momento para uma situação por nós indesejada. Mas não!
Ele, entre as confissões da sua frustração numa situação passada com um casal de amigos do coração, recém-casados, pedia insistentemente para passarmos, depois do espectáculo, pelo café onde ele estava com os amigos, a meia dúzia de metros ao lado do teatro. Dizia que desejava ir ao teatro, mas queria saber se a peça valia a pena. I perguntava-lhe porque não ia ver a peça e ele dizia que queria saber se a peça era fixe. Dissemos-lhe que como ainda não tínhamos visto, ainda não lhe podíamos dizer nada. Ele pediu para lhe dizermos no fim, mas também dizia que já tinha perguntado a outras pessoas e todas lhe disseram que a peça não prestava.
Quando a peça acabou, saímos e vimos o Cândido, lembro-me agora de ele ter dito o seu nome, com os amigos. Pareceu-me ainda mais embriagado que anteriormente. Decidimos que o melhor era não ir ter com ele e seguimos o nosso caminho no sentido contrário.
Bom Cândido, “mentiram-te”. A peça era muito boa.
A peça é “Persona”, de Ingmar Bergman apresentada por “as boas raparigas…”, no “Estúdio 0” (mais informações em http://estudio0.blogspot.com/).
Aconselho a ver. Está em cena até ao próximo dia 2 de Novembro.
Gostei da representação das actrizes e das soluções de encenação. Achei que uma ou outra passagem de som, não estava lá muito bem conseguida, mas nada que comprometesse a peça. As luzes, não sendo o melhor da encenação, tinham momentos muito bons. A cena final e a confissão da enfermeira, foram para mim os momentos mais marcantes, cheios de força e muito bem representados.
Já os momentos menos conseguidos, foram as cenas iniciais, onde as personagens ficavam imóveis, o que me pareceu demasiado artificial, sobretudo a enfermeira pois a outra personagem era a enferma que se encontrava na cama. Ainda bem que tal situação só aconteceu uma ou duas vezes.
sábado, setembro 20, 2008
ai!
Ai!
Vi-te e como eu desejava que sentisses o mesmo que eu. Nem sei se tal possibilidade pode existir, mas o simples facto de achar que uma declaração minha te pudesse ofender e afastar-te ainda mais do que as raras vezes que nos vê-mos…
AA disse-me que se tu te ofendesses então não valias o esforço, mas: primeiro, tenho que arranjar desculpas para me acobardar; segundo, não vejo mal em que te manifestasses pelo desagrado, pois penso que todos nós temos o direito de manifestarmos os nossos sentimentos (isto é um contra-senso, não é?).
Conheço-te mal, mas uma mulher bonita e inteligente, é sempre atraente. Cativaste-me, não pela beleza física que tens, mas pela tua inteligência e forte carácter. É verdade que conheço e me rodeiam outras mulheres atraentes como tu, mas foste tu e o meu pensamento em ti, que fechou a última ferida com que fui brindado. Podem até dizer que me abriste uma nova ferida, mas esta só jorra felicidade. Prefiro pensar que vivo, neste momento, inebriado e que este sentimento se dissolverá com o tempo, no entanto, já algo deixou. Uma ferida fechada. Só por isso vale a pena a minha embriaguês em sentimentos não recíprocos.
Bom, duvido (mas tenho a secreta esperança) que algum dia descubras quem és, mas se tal acontecer gostava que te manifestasses. Isto soa-me um pouco ridículo, mas que se dane. Soa-me também a cobardia, mas de novo que se dane. E quem disse, que algum dia lerás este texto?
Vi-te e como eu desejava que sentisses o mesmo que eu. Nem sei se tal possibilidade pode existir, mas o simples facto de achar que uma declaração minha te pudesse ofender e afastar-te ainda mais do que as raras vezes que nos vê-mos…
AA disse-me que se tu te ofendesses então não valias o esforço, mas: primeiro, tenho que arranjar desculpas para me acobardar; segundo, não vejo mal em que te manifestasses pelo desagrado, pois penso que todos nós temos o direito de manifestarmos os nossos sentimentos (isto é um contra-senso, não é?).
Conheço-te mal, mas uma mulher bonita e inteligente, é sempre atraente. Cativaste-me, não pela beleza física que tens, mas pela tua inteligência e forte carácter. É verdade que conheço e me rodeiam outras mulheres atraentes como tu, mas foste tu e o meu pensamento em ti, que fechou a última ferida com que fui brindado. Podem até dizer que me abriste uma nova ferida, mas esta só jorra felicidade. Prefiro pensar que vivo, neste momento, inebriado e que este sentimento se dissolverá com o tempo, no entanto, já algo deixou. Uma ferida fechada. Só por isso vale a pena a minha embriaguês em sentimentos não recíprocos.
Bom, duvido (mas tenho a secreta esperança) que algum dia descubras quem és, mas se tal acontecer gostava que te manifestasses. Isto soa-me um pouco ridículo, mas que se dane. Soa-me também a cobardia, mas de novo que se dane. E quem disse, que algum dia lerás este texto?
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Porto bibo – sociedade de elitização urbana
Antes de começar a escrever esta minha opinião, resolvi ir ao site do "porto vivo" procurar apartamentos. Como não obtinha resultados, fui reduzindo as especificações até não colocar qualquer preferência. Desta forma obtive 3 resultados, todos eles referentes à venda de prédios com notas de se encontrarem em mau estado de conservação.
Depois desta busca, vou passar ao motivo que me leva a escrever estas linhas.
Fui informar-me sobre a venda dos apartamentos da Praça de Carlos Alberto, mais propriamente sobre os apartamentos do "Pátio Luso" que abarca, creio que 3 edifícios, sendo um, o do conhecido café Luso e outro, o da sede de campanha do general Humberto Delgado.
Apartamentos bem desenhados, sem preocupações em aproveitar todos os espaços, mas com a preocupação de um bom desenho. Preços absurdamente inflacionados a que o meu parco salário não chega para pedir empréstimo. Queixo-me a R dizendo que não se pode ter bom gosto. R responde que poder pode-se, mas não mais do que isso. -Vê lá, diz-me R, não cries uma obsessão. Não, não crio uma obsessão, mas que vou jogar no euromilhões e nem costumo… ai lá isso vou!
No fim-de-semana passado, converso com um jovem arquitecto e fico chocado com o seu discurso. Diz-me que a cidade do Porto é para os turistas e não para as pessoas que a habitam. Estas só sabem sujar a cidade e estragar. Deveriam, a começar pelos mais velhos, de ser realojados nos subúrbios da cidade. Diz ainda da população, que são todos uns vândalos e como tal devem ser tratados. Pergunto-lhe se me considera um vândalo. Diz-me que não, mas que só quem tem dinheiro é que deve morar no centro da cidade ou seja: quem tem dinheiro para pagar uma casa inflacionada, compra, quem não tem, tal como ele próprio se descreveu, não compra e vai morar para fora da cidade. Sinto pena dele, tão novo e já com ideias tão curtas e empedernidas. Falei-lhe em educar as pessoas e ele riu-se na minha cara. De referir que momentos antes tínhamos passado pela rua da Banharia, onde uma senhora, muito simpática, com 81 anos de idade, nos abriu as portas (a um grupo de cerca de 30 pessoas que calcorreava as ruas históricas do Porto) para a visita ao pátio de acesso às habitações reabilitadas que os “velhos” moradores adquiriram e que com muito amor e dedicação mantinham asseado. Todos nós ficámos extasiados com a beleza e o aprumo do pátio, enquanto a senhora, com orgulho, ia respondendo às questões que lhe colocávamos. E ele risse na minha cara, quando lhe falo em educar as pessoas? Pobre rapaz!
Depois desta busca, vou passar ao motivo que me leva a escrever estas linhas.
Fui informar-me sobre a venda dos apartamentos da Praça de Carlos Alberto, mais propriamente sobre os apartamentos do "Pátio Luso" que abarca, creio que 3 edifícios, sendo um, o do conhecido café Luso e outro, o da sede de campanha do general Humberto Delgado.
Apartamentos bem desenhados, sem preocupações em aproveitar todos os espaços, mas com a preocupação de um bom desenho. Preços absurdamente inflacionados a que o meu parco salário não chega para pedir empréstimo. Queixo-me a R dizendo que não se pode ter bom gosto. R responde que poder pode-se, mas não mais do que isso. -Vê lá, diz-me R, não cries uma obsessão. Não, não crio uma obsessão, mas que vou jogar no euromilhões e nem costumo… ai lá isso vou!
No fim-de-semana passado, converso com um jovem arquitecto e fico chocado com o seu discurso. Diz-me que a cidade do Porto é para os turistas e não para as pessoas que a habitam. Estas só sabem sujar a cidade e estragar. Deveriam, a começar pelos mais velhos, de ser realojados nos subúrbios da cidade. Diz ainda da população, que são todos uns vândalos e como tal devem ser tratados. Pergunto-lhe se me considera um vândalo. Diz-me que não, mas que só quem tem dinheiro é que deve morar no centro da cidade ou seja: quem tem dinheiro para pagar uma casa inflacionada, compra, quem não tem, tal como ele próprio se descreveu, não compra e vai morar para fora da cidade. Sinto pena dele, tão novo e já com ideias tão curtas e empedernidas. Falei-lhe em educar as pessoas e ele riu-se na minha cara. De referir que momentos antes tínhamos passado pela rua da Banharia, onde uma senhora, muito simpática, com 81 anos de idade, nos abriu as portas (a um grupo de cerca de 30 pessoas que calcorreava as ruas históricas do Porto) para a visita ao pátio de acesso às habitações reabilitadas que os “velhos” moradores adquiriram e que com muito amor e dedicação mantinham asseado. Todos nós ficámos extasiados com a beleza e o aprumo do pátio, enquanto a senhora, com orgulho, ia respondendo às questões que lhe colocávamos. E ele risse na minha cara, quando lhe falo em educar as pessoas? Pobre rapaz!
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domingo, setembro 14, 2008
salad days III
Olho para os raios de sol que entram por entre as frestas da janela e sou levado para os meus dias felizes da infância.
Ficava esquecido, a observar no tempo pequenas partículas de pó. Elas subiam pelos raios de sol até atingirem a sombra. Agarrava-me, então, a uma nova partícula de pó e repetia a viagem.
Oh! Que felicidade quando me libertavam da sesta um minuto mais cedo para ir brincar.
E a bola, que não era de trapos, mas era de plástico. Tão leve, tão leve, que quando chutada com força, fazia trajectórias alucinantes e diminuía de velocidade de uma forma desesperadamente abrupta. Não duravam muito tempo, essas bolas, e sempre que alguém conseguia arranjar algumas moedas, íamos felizes ao “bazar dos três vinténs” ou à “casa dos plásticos”.
Adorava trepar muros e andar pelos telhados. Naquela altura julgava ser uma brincadeira normal, estes ares de acrobata, mas hoje penso serem privilégios de uma infância, por muitos, desejada.
Ficava esquecido, a observar no tempo pequenas partículas de pó. Elas subiam pelos raios de sol até atingirem a sombra. Agarrava-me, então, a uma nova partícula de pó e repetia a viagem.
Oh! Que felicidade quando me libertavam da sesta um minuto mais cedo para ir brincar.
E a bola, que não era de trapos, mas era de plástico. Tão leve, tão leve, que quando chutada com força, fazia trajectórias alucinantes e diminuía de velocidade de uma forma desesperadamente abrupta. Não duravam muito tempo, essas bolas, e sempre que alguém conseguia arranjar algumas moedas, íamos felizes ao “bazar dos três vinténs” ou à “casa dos plásticos”.
Adorava trepar muros e andar pelos telhados. Naquela altura julgava ser uma brincadeira normal, estes ares de acrobata, mas hoje penso serem privilégios de uma infância, por muitos, desejada.
domingo, agosto 31, 2008
inteligência
AA disse-me: "A inteligência é algo de que devemos fazer uso para o desenvolvimento humano ou então só serve para nos envaidecermos perante os menos dotados."
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sexta-feira, agosto 29, 2008
gatos II
recordo! (ou o elogio do preto)
Recordo!
Recordo-me de ser adolescente e ser conhecido na zona onde morava como “aquele que anda de preto”. Esta sentença era anunciada em voz baixa, com algum mistério e temor místico. Era como se eu fosse uma espécie de mau agoiro.
Já ouvi vezes sem conta a pergunta: “Porque é que andas sempre de preto?”
Porque gosto, é a resposta. É claro que é pouco para satisfazer as pessoas, mas é a verdade. Gostariam, talvez, de me ouvir dizer que pertenço a uma tribo qualquer cuja “imagem de marca” é o preto.
Na verdade, acabo por me confundir com algumas dessas tribos e até imiscuir-me no meio delas fazendo amizades que perduram, mas nunca me quis conotar com nenhuma delas. Esta ligação acontece porque dentro destas tribos tenho encontrado das pessoas mais cultas, inteligentes e despretensiosas que conheço. É claro que não são todos assim e muitos são mesmo o oposto, mas em termos percentuais empíricos, são os meios onde encontro mais gente interessante.
Mas porque não adopto eu uma destas tribos?
Gosto imenso de pensar pela minha cabeça e ir seleccionando aquilo que me interessa sem ter que me agarrar à ditadura de um grupo. Já me chamaram de anarco-sindicalista e, talvez considerando (por falta de um profundo conhecimento da matéria) um pouco exagerado o epíteto, a palavra anarco agrada-me. Livre-pensador, outro epíteto que me colaram, soa-me melhor. Talvez por não trazer com ele uma carga tão pesada de interpretações.
Para além das pessoas interessantes que encontro nestas tribos, é a cor preta que me atrai. Também a contradição me atrai. Pensar que os “heróis” não têm que aparecer sempre de “branco”. Pensar que os “heróis” podem aparecer de preto.
Recordo-me que, por andar sempre de preto, um dia me classificaram como positive punk, classificação que não adoptei e facto curioso, os próprios ditos criadores do movimento também rejeitaram. Bom, já me classificaram como gótico ou metaleiro, mas, como sempre, rejeitei. Sim, gosto de siouxsie and banshees, bauhaus, napalm death… e depois? Também gosto de björk, radiohead, squarepusher… de pogues, negativland, harry connick jr… de adriano correia de oliveira, mão morta, mariza… de john zorn, nine inch nails, negativland… bom, podia ficar aqui a preencher linhas com nomes de bandas e músicos, mas o que interessa, para além de aqui divulgar alguns dos nomes que me agradam (e não são só os que mais me agradam), é dizer que me enriquece o facto de ter os meus horizontes tão alargados.
Um dia um professor, artista reconhecido, disse-nos que a cor que um pintor mais gasta é o branco. Pois, professor, mas no meu caso é o preto.
Recordo-me de ser adolescente e ser conhecido na zona onde morava como “aquele que anda de preto”. Esta sentença era anunciada em voz baixa, com algum mistério e temor místico. Era como se eu fosse uma espécie de mau agoiro.
Já ouvi vezes sem conta a pergunta: “Porque é que andas sempre de preto?”
Porque gosto, é a resposta. É claro que é pouco para satisfazer as pessoas, mas é a verdade. Gostariam, talvez, de me ouvir dizer que pertenço a uma tribo qualquer cuja “imagem de marca” é o preto.
Na verdade, acabo por me confundir com algumas dessas tribos e até imiscuir-me no meio delas fazendo amizades que perduram, mas nunca me quis conotar com nenhuma delas. Esta ligação acontece porque dentro destas tribos tenho encontrado das pessoas mais cultas, inteligentes e despretensiosas que conheço. É claro que não são todos assim e muitos são mesmo o oposto, mas em termos percentuais empíricos, são os meios onde encontro mais gente interessante.
Mas porque não adopto eu uma destas tribos?
Gosto imenso de pensar pela minha cabeça e ir seleccionando aquilo que me interessa sem ter que me agarrar à ditadura de um grupo. Já me chamaram de anarco-sindicalista e, talvez considerando (por falta de um profundo conhecimento da matéria) um pouco exagerado o epíteto, a palavra anarco agrada-me. Livre-pensador, outro epíteto que me colaram, soa-me melhor. Talvez por não trazer com ele uma carga tão pesada de interpretações.
Para além das pessoas interessantes que encontro nestas tribos, é a cor preta que me atrai. Também a contradição me atrai. Pensar que os “heróis” não têm que aparecer sempre de “branco”. Pensar que os “heróis” podem aparecer de preto.
Recordo-me que, por andar sempre de preto, um dia me classificaram como positive punk, classificação que não adoptei e facto curioso, os próprios ditos criadores do movimento também rejeitaram. Bom, já me classificaram como gótico ou metaleiro, mas, como sempre, rejeitei. Sim, gosto de siouxsie and banshees, bauhaus, napalm death… e depois? Também gosto de björk, radiohead, squarepusher… de pogues, negativland, harry connick jr… de adriano correia de oliveira, mão morta, mariza… de john zorn, nine inch nails, negativland… bom, podia ficar aqui a preencher linhas com nomes de bandas e músicos, mas o que interessa, para além de aqui divulgar alguns dos nomes que me agradam (e não são só os que mais me agradam), é dizer que me enriquece o facto de ter os meus horizontes tão alargados.
Um dia um professor, artista reconhecido, disse-nos que a cor que um pintor mais gasta é o branco. Pois, professor, mas no meu caso é o preto.
gatos
I tem oito gatinhos para dar! Haverá por aí alguém interessado em adoptar um ou mais gatos?
Li em qualquer sítio que os gatos é que nos adoptam a nós. Por isso vou reformular a pergunta.
Haverá por aí alguém interessado em ser adoptado por um ou mais gatos?
É! Soa melhor.
Li em qualquer sítio que os gatos é que nos adoptam a nós. Por isso vou reformular a pergunta.
Haverá por aí alguém interessado em ser adoptado por um ou mais gatos?
É! Soa melhor.
quarta-feira, agosto 27, 2008
o poder das palavras
Ainda há pouco I me dizia por sms: “O teu blog não tem nem 1/3 do bom que, muito provavelmente, tens para contar.”
E eu respondi-lhe: “Pois, mas eu não sou grande coisa na escrita ou pelo menos a mim não me satisfaz o suficiente.”
Como também lhe disse no sms de resposta, fui comer uma panqueca… hummm… com duas bolas de gelado e coberta de chocolate quente… mas o que eu quero aqui contar, é que no caminho fui a pensar na resposta que tinha dado.
Lembrei-me também de J, que me disse no comentário a “salad days II”: “Epá! Até que enfim que te vejo a escrever algo mais longo! Volta-e-meia "passo" por aqui para ver o que tens publicado e tenho notado as tuas longas ausências. Enfim, é a vida e de certeza que tens muitas prioridades antes disto.
Um abraço!”
Eu respondi por e-mail que: “É verdade, ando sempre ocupado com isto ou aquilo, mas também é verdade que muitas das coisas que poderia colocar no blog nunca chegam a ver a luz do dia. Umas por preguiça, outras por preguiça ;-)”
Neste recordar de palavras, deambulei pelas razões que me levam a não ser mais assíduo no meu blog. Duas das razões, ou devo dizer três, estão já expostas, mas existe pelo menos outra que me ocorreu no caminho para a geladaria. Falta-me “a arte e o engenho” para escrever. As palavras são perigosas, quando interpretadas de forma que não a intencionada por quem as diz ou escreve. Também por esta razão, “muitas das coisas que poderia colocar no blog nunca chegam a ver a luz do dia.” Talvez um dia perca o medo de ser mal interpretado e se não o perder, penso que também não se perde nada.
Não! Estou a mentir! No fundo, penso que cada um de nós tem sempre algo a “dizer” que vai ao encontro do que alguém gostava de “ouvir” e eu, não sou a excepção à regra.
Lembro-me agora dos tempos em que as minhas palavras foram cantadas em palco e escutadas na rádio e na tv. Um dia, num concerto, um fã veio ter comigo e disse-me: - Obrigado! As tuas palavras já me salvaram do suicídio duas vezes e sempre que me vem à ideia tal pensamento, coloco a gravação das vossas músicas para que se me afaste tal pensamento da ideia.
Fiquei sem palavras ou pelo menos sem a inteligência na palavra, já que balbuciei qualquer coisa que o jovem agradeceu mas que eu nem no momento escutei, tal foi o choque de descobrir o poder das palavras.
E eu respondi-lhe: “Pois, mas eu não sou grande coisa na escrita ou pelo menos a mim não me satisfaz o suficiente.”
Como também lhe disse no sms de resposta, fui comer uma panqueca… hummm… com duas bolas de gelado e coberta de chocolate quente… mas o que eu quero aqui contar, é que no caminho fui a pensar na resposta que tinha dado.
Lembrei-me também de J, que me disse no comentário a “salad days II”: “Epá! Até que enfim que te vejo a escrever algo mais longo! Volta-e-meia "passo" por aqui para ver o que tens publicado e tenho notado as tuas longas ausências. Enfim, é a vida e de certeza que tens muitas prioridades antes disto.
Um abraço!”
Eu respondi por e-mail que: “É verdade, ando sempre ocupado com isto ou aquilo, mas também é verdade que muitas das coisas que poderia colocar no blog nunca chegam a ver a luz do dia. Umas por preguiça, outras por preguiça ;-)”
Neste recordar de palavras, deambulei pelas razões que me levam a não ser mais assíduo no meu blog. Duas das razões, ou devo dizer três, estão já expostas, mas existe pelo menos outra que me ocorreu no caminho para a geladaria. Falta-me “a arte e o engenho” para escrever. As palavras são perigosas, quando interpretadas de forma que não a intencionada por quem as diz ou escreve. Também por esta razão, “muitas das coisas que poderia colocar no blog nunca chegam a ver a luz do dia.” Talvez um dia perca o medo de ser mal interpretado e se não o perder, penso que também não se perde nada.
Não! Estou a mentir! No fundo, penso que cada um de nós tem sempre algo a “dizer” que vai ao encontro do que alguém gostava de “ouvir” e eu, não sou a excepção à regra.
Lembro-me agora dos tempos em que as minhas palavras foram cantadas em palco e escutadas na rádio e na tv. Um dia, num concerto, um fã veio ter comigo e disse-me: - Obrigado! As tuas palavras já me salvaram do suicídio duas vezes e sempre que me vem à ideia tal pensamento, coloco a gravação das vossas músicas para que se me afaste tal pensamento da ideia.
Fiquei sem palavras ou pelo menos sem a inteligência na palavra, já que balbuciei qualquer coisa que o jovem agradeceu mas que eu nem no momento escutei, tal foi o choque de descobrir o poder das palavras.
domingo, agosto 24, 2008
noite
A noite começou com troca de mensagens, mas… um banho e após o jantar um enorme gelado. Foi a partida para divagar sem destino e esperar pelo que ia acontecendo. Encontramos alguém conhecido e comenta-se que todos deitam os copos de plástico e as garrafas de vidro para o chão. Naturalmente, no dia seguinte, estarão de ressaca em casa a separar plásticos, papeis, metais e vidros como exige a consciência cívica. Separam tudo e olham com desdém para aqueles que lhes parecem inferiores, só porque nunca fazem a separação do lixo. – Então e os copos e garrafas que ontem largaram na rua? – pergunto eu! Mas não obtenho resposta.
O que é o destino – nova pergunta sem resposta. Mas encontrei-o, seja lá quem for ou tenha o aspecto que tiver. Neste caso surge-me numa noite inesperada e agradável. Encontro caras conhecidas e outras que também não, mas fico feliz por as ver.
Irrita-me o fumo de tabaco, mas aceito-o como fazendo parte de um acto social. Se quero conviver com os outros, tenho que conviver com o seu fumo. Não é condição sine qua non para o acto social, mas cada vez mais se torna num elemento importante na criação de novas redes sociais, bastando para tal observar as portas de entrada dos edifícios de escritórios e afins.
Em casa sento-me e escrevo.
O que é o destino – nova pergunta sem resposta. Mas encontrei-o, seja lá quem for ou tenha o aspecto que tiver. Neste caso surge-me numa noite inesperada e agradável. Encontro caras conhecidas e outras que também não, mas fico feliz por as ver.
Irrita-me o fumo de tabaco, mas aceito-o como fazendo parte de um acto social. Se quero conviver com os outros, tenho que conviver com o seu fumo. Não é condição sine qua non para o acto social, mas cada vez mais se torna num elemento importante na criação de novas redes sociais, bastando para tal observar as portas de entrada dos edifícios de escritórios e afins.
Em casa sento-me e escrevo.
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sexta-feira, agosto 22, 2008
tenho um boato espalhado no bolso
Tenho um boato espalhado no bolso.
Verdade! Tenho mesmo ou tinha.
Ele começou por entrar no meu bolso como uma pequena bola de plástico… um pequeno ovo de plástico. Dentro, estava o boato.
Não sei porquê, mas resolvi mantê-lo por lá. O que eu nunca imaginei foi que ele iria chocar no meu bolso. Na verdade, se eu próprio estivesse no meu bolso penso que iria gostar. É confortável, agradável nos dias de Inverno e, uma ou outra vez, a minha mão quente entra no bolso e acaricia o que por lá se encontra.
É um bolso divertido, sempre cheio das mais diversas coisas que fazem companhia umas às outras. Estas coisas, aprendem umas com as outras na mais diversificada e cosmopolita troca de saberes e cultura. Posso dizer que é um bolso rico de conhecimento, porque a troca ou partilha de saberes e cultura, é a melhor forma de enriquecer qualquer cosmos.
Mas voltemos ao boato. Um dia, meti a não no bolso e descobri algo que não estava lá anteriormente. Eram duas metades de um ovo de plástico e um boato. Ele tinha nascido e eu fiquei perplexo!
Era uma coisa pequenina, insignificante, mas com uma força extraordinária. Sempre que eu dizia a alguém que tinha um boato espalhado no bolso, as pessoas ficavam curiosas e então, eu tinha que mostrar o pequeno boato que acalentava no bolso. Era extraordinário assistir a reacção das pessoas perante aquele ser minúsculo, preto e branco. A verdade é que só acreditavam na sua existência depois de o verem.
O boato acompanhou-me durante longo tempo, sempre no meu bolso, até que um dia cresceu e resolveu partir para seguir a sua própria vida. Sei que nunca abandonou a sua casca de origem e que até a transformou na sua habitação permanente. Hoje, ele e a sua casca encontram-se algures pela minha casa. De quando em quando eu encontro-o, sempre dentro da sua casca, não vá acontecer o caso de se perderem um do outro.
Lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que o vi e o meti no bolso. Foi numa manhã fria e escura de Inverno, andava eu sem destino e resolvi passar por um local que me é aprazível onde sei que encontro sempre pessoas interessantes. Foi nessa busca sem destino que eu o vi. Estava junto com outros ovos (pois na altura não passava de um ovo). Eu perguntei a N. o que era aquilo; se era um ovo. Ela disse-me que era um ovo. Fiquei sem argumentos. Era uma evidência factual que, mesmo sendo de plástico, se tratava de um ovo. A resposta que recebi é típica de N., pessoa que admiro e de quem gosto por este tipo de respostas concretas e eficazes, sem grandes hipóteses de se estender por um diálogo desinteressante. Olhei para os ovos e decidi guardar um no meu bolso, como memória de N. e das suas respostas consistentes. Estava assim feita a minha ligação com o boato.
Verdade! Tenho mesmo ou tinha.
Ele começou por entrar no meu bolso como uma pequena bola de plástico… um pequeno ovo de plástico. Dentro, estava o boato.
Não sei porquê, mas resolvi mantê-lo por lá. O que eu nunca imaginei foi que ele iria chocar no meu bolso. Na verdade, se eu próprio estivesse no meu bolso penso que iria gostar. É confortável, agradável nos dias de Inverno e, uma ou outra vez, a minha mão quente entra no bolso e acaricia o que por lá se encontra.
É um bolso divertido, sempre cheio das mais diversas coisas que fazem companhia umas às outras. Estas coisas, aprendem umas com as outras na mais diversificada e cosmopolita troca de saberes e cultura. Posso dizer que é um bolso rico de conhecimento, porque a troca ou partilha de saberes e cultura, é a melhor forma de enriquecer qualquer cosmos.
Mas voltemos ao boato. Um dia, meti a não no bolso e descobri algo que não estava lá anteriormente. Eram duas metades de um ovo de plástico e um boato. Ele tinha nascido e eu fiquei perplexo!
Era uma coisa pequenina, insignificante, mas com uma força extraordinária. Sempre que eu dizia a alguém que tinha um boato espalhado no bolso, as pessoas ficavam curiosas e então, eu tinha que mostrar o pequeno boato que acalentava no bolso. Era extraordinário assistir a reacção das pessoas perante aquele ser minúsculo, preto e branco. A verdade é que só acreditavam na sua existência depois de o verem.
O boato acompanhou-me durante longo tempo, sempre no meu bolso, até que um dia cresceu e resolveu partir para seguir a sua própria vida. Sei que nunca abandonou a sua casca de origem e que até a transformou na sua habitação permanente. Hoje, ele e a sua casca encontram-se algures pela minha casa. De quando em quando eu encontro-o, sempre dentro da sua casca, não vá acontecer o caso de se perderem um do outro.
Lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que o vi e o meti no bolso. Foi numa manhã fria e escura de Inverno, andava eu sem destino e resolvi passar por um local que me é aprazível onde sei que encontro sempre pessoas interessantes. Foi nessa busca sem destino que eu o vi. Estava junto com outros ovos (pois na altura não passava de um ovo). Eu perguntei a N. o que era aquilo; se era um ovo. Ela disse-me que era um ovo. Fiquei sem argumentos. Era uma evidência factual que, mesmo sendo de plástico, se tratava de um ovo. A resposta que recebi é típica de N., pessoa que admiro e de quem gosto por este tipo de respostas concretas e eficazes, sem grandes hipóteses de se estender por um diálogo desinteressante. Olhei para os ovos e decidi guardar um no meu bolso, como memória de N. e das suas respostas consistentes. Estava assim feita a minha ligação com o boato.
quinta-feira, agosto 21, 2008
"capítulo XXI"
Conheci alguém que, com apenas algumas horas de conversa, deixou algo comigo que nunca pensei que pudesse ficar.
Na falta dessa pessoa e da sua voz, leio o capítulo XXI do principezinho. É o meu capítulo preferido.
Na falta dessa pessoa e da sua voz, leio o capítulo XXI do principezinho. É o meu capítulo preferido.
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aforismo
AA virou-se para mim e disse:
“Existe gente que prefere ter um animal de estimação como escravo, do que uma pessoa por companhia.”
Na verdade não sei o que quis dizer com tal coisa. Não sei se o que penso é o que quis dizer, mas deixo aqui para que se possa dizer o que se pensa.
“Existe gente que prefere ter um animal de estimação como escravo, do que uma pessoa por companhia.”
Na verdade não sei o que quis dizer com tal coisa. Não sei se o que penso é o que quis dizer, mas deixo aqui para que se possa dizer o que se pensa.
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quarta-feira, agosto 20, 2008
fluídos
Embora já me tenha convencido a nós próprio de que não sei escrever, de igual modo notamos que a escrita é algo que fluí através de mim com alguma naturalidade. Escrever, surge da produção de diálogos tidos entre nós próprio. As discussões tidas entre nós, dentro do meu cérebro, são imensas listas de inspiração primária que na maior parte das vezes não chegam a ver a luz do dia.
Uma ideia, nunca é passível de ser transmitida de uma forma perfeita. Só mesmo entre nós dentro de mim essa possibilidade existe.
Uma ideia, nunca é passível de ser transmitida de uma forma perfeita. Só mesmo entre nós dentro de mim essa possibilidade existe.
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sábado, agosto 09, 2008
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