Quarta-feira, 18.30 h. O comboio chega à estação de S.Bento.
Saio da estação e dirijo-me para a praça da Liberdade. Com a mudança da hora para o horário de Inverno, já é noite.
Quando estou a aproximar-me do Ardina (estátua que se encontra na dita praça), noto um casal de turistas a observar curiosamente o Ardina, a aproximarem-se cuidadosamente e com alguma desconfiança. Estranhei, mas logo compreendi.
Ele aproximou, lenta e cuidadosamente a sua mão, à mão do Ardina que segura o jornal. Tocou-lhe ao de leve para logo de seguida e desfeito o mistério, dar-lhe duas ou três sapatadas fortes na mão, para confirmar à sua companheira que se tratava de uma estátua verdadeira e não de um homem estátua.
Hoje, quinta-feira, ao dirigir-me para a estação, notei um grupo de vários indivíduos em volta do Ardina. Pareceu-me que riscavam qualquer coisa no jornal que pende da sua mão. E estavam mesmo. Estavam com folhas de jornal a riscar por cima do jornal de bronze, de forma a decalcar a textura do segundo para o primeiro. Achei de novo curiosa esta interacção com o Ardina.
É maravilhoso notar como uma estátua, pela qual passo todos os dias, para a qual olho todos os dias e pela qual muitas vezes lamento os actos de vandalismo* a que se vê sujeita, consegue, mesmo assim, atrair das mais diversificadas formas a curiosidade dos transeuntes.
* Lamento terem-lhe partido a ponta do cigarro que lhe pendia nos lábios. Lamento as “spraysadas” de que foi vítima e que são notórias no jornal. Lamento a falta de cuidado da autarquia que não zela convenientemente pelos monumentos que possui (mas o desrespeito da câmara municipal pela cultura da cidade, é outra história que tem pano para mangas).
quinta-feira, outubro 30, 2008
terça-feira, outubro 28, 2008
negativland
01/10
02/10
03/10
04/10
05/10
06/10
07/10
08/10
09/10
10/10
Não resisto a colocar mais estes dois.
Time Zones
Car Bomb
02/10
03/10
04/10
05/10
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Não resisto a colocar mais estes dois.
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segunda-feira, outubro 27, 2008
porque escrevo?
Escrevo porque não quero dizer a razão de escrever, escrevo porque as palavras me afluem aos dedos, escrevo porque não tenho razão para o fazer.
Escrevo porque não existe sentimento, escrevo porque é o que acontece, escrevo porque não é isso que penso.
Escrevo porque não existe o que escrevo, escrevo porque me lembro e escrevo, escrevo porque não sei o que escrevo.
Escrevo, escrevo, escrevo e afinal não escrevo, apenas deixo os meus dedos passearem sobre o teclado e lutarem com as palavras para se formarem frases sem sentido que apenas dizem o que não dizem.
São enganos, são metáforas, são pregos na calçada onde caminho descalço.
São alucinações, são pesadelos, são gomas que me colam o peito ao céu.
São verdades, são vocábulos, são sentenças que perdi a jogar com o vento.
É a queda dos dedos sobre o tecladopof kgjq0020+psaldpf bvuqbwfjnwqfb
Escrevo porque não existe sentimento, escrevo porque é o que acontece, escrevo porque não é isso que penso.
Escrevo porque não existe o que escrevo, escrevo porque me lembro e escrevo, escrevo porque não sei o que escrevo.
Escrevo, escrevo, escrevo e afinal não escrevo, apenas deixo os meus dedos passearem sobre o teclado e lutarem com as palavras para se formarem frases sem sentido que apenas dizem o que não dizem.
São enganos, são metáforas, são pregos na calçada onde caminho descalço.
São alucinações, são pesadelos, são gomas que me colam o peito ao céu.
São verdades, são vocábulos, são sentenças que perdi a jogar com o vento.
É a queda dos dedos sobre o tecladopof kgjq0020+psaldpf bvuqbwfjnwqfb
domingo, outubro 26, 2008
palavras nas mãos
Adormeço com as tuas palavras nas mãos e sonho com todas as vezes que pensei em ti.
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eu era para ser dois
Eu era para ser dois, mas acabei por ser vários num só.
Quando parti para a nascença estava decidido que iria ser dois, mas as coisas nem sempre correm conforme o planeamento do destino. Ser dois significava perder um de nós. Por outro lado, ser um para dois era mais enriquecedor. O que não sabíamos era que ao tomarmos a decisão de ser dois num só, estávamos a abrir o caminho para nos tornarmos vários num só.
Este facto de ser vários, ajuda-me a entender melhor os…
Os meus dedos congelaram e os meus olhos, mortos de cansaço, baniram-se da minha face. Parei e o mundo inteiro parou. Ficámos todos na expectativa. Para que mundos tinha eu agora viajado? É uma resposta difícil de dar, mas entre dor e prazer, detive-me. O melhor caminho, é aquele que nos deixa vislumbrar ambas as opções para, entre elas, construirmos o nosso próprio carreiro. Cruzamos com a formiga que segue em sentido contrário e percebemos que foi enganada. Não é o sentido contrário que ela deve tomar, mas sim criar e seguir um novo carreiro, o seu carreiro.
Pouso os meus dedos um a um sobre o veludo negro da caixa, fecho-a e guardo-a. Deixo o texto repousar e vou para junto dos meus olhos. Felizes, reencontramo-nos e partimos unidos para um merecido descanso.
Quando parti para a nascença estava decidido que iria ser dois, mas as coisas nem sempre correm conforme o planeamento do destino. Ser dois significava perder um de nós. Por outro lado, ser um para dois era mais enriquecedor. O que não sabíamos era que ao tomarmos a decisão de ser dois num só, estávamos a abrir o caminho para nos tornarmos vários num só.
Este facto de ser vários, ajuda-me a entender melhor os…
Os meus dedos congelaram e os meus olhos, mortos de cansaço, baniram-se da minha face. Parei e o mundo inteiro parou. Ficámos todos na expectativa. Para que mundos tinha eu agora viajado? É uma resposta difícil de dar, mas entre dor e prazer, detive-me. O melhor caminho, é aquele que nos deixa vislumbrar ambas as opções para, entre elas, construirmos o nosso próprio carreiro. Cruzamos com a formiga que segue em sentido contrário e percebemos que foi enganada. Não é o sentido contrário que ela deve tomar, mas sim criar e seguir um novo carreiro, o seu carreiro.
Pouso os meus dedos um a um sobre o veludo negro da caixa, fecho-a e guardo-a. Deixo o texto repousar e vou para junto dos meus olhos. Felizes, reencontramo-nos e partimos unidos para um merecido descanso.
sexta-feira, outubro 24, 2008
nada
Estou na beira da janela, junto ao tecto e observo os pés das pessoas que passam na rua. Na verdade, não consigo ver outra coisa da janela senão os pés das pessoas que passam. Agarro-me às grades que me separam da rua e imagino como será caminhar em liberdade. E lá fora, as pessoas continuam a caminhar.
Vejo-me a cair num poço branco sem fim e fico feliz por não ter fundo. Será, por assim dizer, uma queda para toda a eternidade ou por outras palavras, o caminho para a imortalidade. Não são todos os que concorrem para a perenidade e apenas alguns encontrarão o caminho. No meu caso, o caminho é um poço cheio de luz branca e sem fundo.
Olho em volta e o que vejo? Nada!
Nada é um excelente ponto de partida e a minha felicidade aumenta. Tenho todo o espaço do mundo sem nada. Tenho todo o espaço do mundo para construir. Construir a partir do nada não é fácil, requer apenas muita imaginação. Tento partilhar este espaço com quem se aproxima, mas todos me acham sonhador, ingénuo e absurdo. Falta-lhes imaginação para conseguirem conceber algo a partir do imenso nada.
Uma tela branca está cheia de luz. É preciso, primeiro, reduzi-la a nada e isso significa retirar-lhe toda a luz. Reduzi-la ao negro e a todas as possibilidades que o mesmo nos dá. Só depois temos ponto de partida.
Porque vestes de preto? – perguntam-me. Porque sou o ponto de partida, respondo eu. Não quero ser julgado pelo que visto, mas é por aí que acabo por ser condenado. Falta de imaginação das pessoas, que não conseguem pensar para além do estereotipado. Deviam partir de mim e não do que trago vestido. Mas compreendo, … é mais fácil!
Alguém repara que tenho um buraco negro na orelha e que ele suga tudo que dele se aproxima. Não tenho culpa, mas agora compreendo porque é que existe nada.
Vejo-me a cair num poço branco sem fim e fico feliz por não ter fundo. Será, por assim dizer, uma queda para toda a eternidade ou por outras palavras, o caminho para a imortalidade. Não são todos os que concorrem para a perenidade e apenas alguns encontrarão o caminho. No meu caso, o caminho é um poço cheio de luz branca e sem fundo.
Olho em volta e o que vejo? Nada!
Nada é um excelente ponto de partida e a minha felicidade aumenta. Tenho todo o espaço do mundo sem nada. Tenho todo o espaço do mundo para construir. Construir a partir do nada não é fácil, requer apenas muita imaginação. Tento partilhar este espaço com quem se aproxima, mas todos me acham sonhador, ingénuo e absurdo. Falta-lhes imaginação para conseguirem conceber algo a partir do imenso nada.
Uma tela branca está cheia de luz. É preciso, primeiro, reduzi-la a nada e isso significa retirar-lhe toda a luz. Reduzi-la ao negro e a todas as possibilidades que o mesmo nos dá. Só depois temos ponto de partida.
Porque vestes de preto? – perguntam-me. Porque sou o ponto de partida, respondo eu. Não quero ser julgado pelo que visto, mas é por aí que acabo por ser condenado. Falta de imaginação das pessoas, que não conseguem pensar para além do estereotipado. Deviam partir de mim e não do que trago vestido. Mas compreendo, … é mais fácil!
Alguém repara que tenho um buraco negro na orelha e que ele suga tudo que dele se aproxima. Não tenho culpa, mas agora compreendo porque é que existe nada.
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sábado, outubro 18, 2008
vidas
Subia Passos Manuel, em direcção ao San Martino, quando ao passar à porta do Coliseu, reparo numa jovem estudante de capa e batina. Reconheci aquele rosto, não porque fosse de alguém que eu conhecesse, mas por ser um rosto reconhecível.
No início do novo milénio, costumava apanhar um autocarro que passava junto à escola do Cerco. Também essa jovem costumava apanhar esse autocarro para se dirigir para a respectiva escola. Era fácil de reconhecê-la já que tinha um problema físico não incapacitante, mas que a tornava distinguível entre os outros jovens estudantes. Deixei de apanhar esse autocarro, mas de tempos em tempos lá ia vendo a jovem em determinados pontos da cidade.
Ontem ao vê-la ocorreu-me um pensamento. Esta jovem chegou a um ponto particular da sua vida, vida que eu fui acompanhando através dos cruzamentos casuais do nosso dia a dia.
Noite.
Na rua, à porta do 77, reencontro J “Super Bock”. É um amigo de longa data que já não via há bastante tempo. Converso com ele, T e Z, entre o ruído de conversas alheias, copos e garrafas espalhadas pelo passeio e cheiros ilícitos.
A noite avança serena e quando dou por isso, estou no Armazém do Chá. Já só restamos dois. Eu e J SB. Enquanto conversamos, não paramos de cumprimentar pessoas que vão aparecendo e que, ou a mim ou a ele ou sobretudo a ambos, vão reconhecendo. Eis que uma dessas pessoas que eu não conhecia, o E, cumprimenta o J SB e ao cumprimentar-me a mim diz:
- Eu conheço-te! Tu eras o vocalista dos B.
- Sim, digo eu.
- Sabes, diz-me ele, de certa forma eu tenho acompanhado a tua vida desde então.
- Ai é! Como assim?
- De vista! Vou te vendo aqui e ali. Posso dizer, no fundo, que tenho acompanhado a tua vida de vista.
Sim, E tinha razão. E eu lembrei-me de novo da jovem estudante a quem eu tenho acompanhado a vida, de vista, desde a sua adolescência até à idade adulta.
No início do novo milénio, costumava apanhar um autocarro que passava junto à escola do Cerco. Também essa jovem costumava apanhar esse autocarro para se dirigir para a respectiva escola. Era fácil de reconhecê-la já que tinha um problema físico não incapacitante, mas que a tornava distinguível entre os outros jovens estudantes. Deixei de apanhar esse autocarro, mas de tempos em tempos lá ia vendo a jovem em determinados pontos da cidade.
Ontem ao vê-la ocorreu-me um pensamento. Esta jovem chegou a um ponto particular da sua vida, vida que eu fui acompanhando através dos cruzamentos casuais do nosso dia a dia.
Noite.
Na rua, à porta do 77, reencontro J “Super Bock”. É um amigo de longa data que já não via há bastante tempo. Converso com ele, T e Z, entre o ruído de conversas alheias, copos e garrafas espalhadas pelo passeio e cheiros ilícitos.
A noite avança serena e quando dou por isso, estou no Armazém do Chá. Já só restamos dois. Eu e J SB. Enquanto conversamos, não paramos de cumprimentar pessoas que vão aparecendo e que, ou a mim ou a ele ou sobretudo a ambos, vão reconhecendo. Eis que uma dessas pessoas que eu não conhecia, o E, cumprimenta o J SB e ao cumprimentar-me a mim diz:
- Eu conheço-te! Tu eras o vocalista dos B.
- Sim, digo eu.
- Sabes, diz-me ele, de certa forma eu tenho acompanhado a tua vida desde então.
- Ai é! Como assim?
- De vista! Vou te vendo aqui e ali. Posso dizer, no fundo, que tenho acompanhado a tua vida de vista.
Sim, E tinha razão. E eu lembrei-me de novo da jovem estudante a quem eu tenho acompanhado a vida, de vista, desde a sua adolescência até à idade adulta.
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terça-feira, outubro 14, 2008
hoje ainda estou a escrever como pinto.

Hoje ainda estou a escrever como pinto. Procuro impossibilidades como, o infinito, o acaso, o vazio… informalismo, mas o que é o informalismo? O informalismo não é a procura. O informalismo é a vontade de fazer, sem intenção de comunicar, é alienação, é sem assunto, é vómito, é automatismo instintivo, é fruição descontrolada de uma produção alheia e desgovernada, é obra aberta. É isso que produzo. E hoje escrevo como pinto. Não quero nada mais, apenas produzir. Observar linhas de palavras, com mais ou menos sentido, desfilarem pelo monitor como se fossem atrasadas para o chá.
Não me parece difícil escrever algo inteligível, mas sem preocupação de significar. Seria mais fácil soltar letras em danças anarquistas, que não passariam de corpos autónomos, perdidos num concretismo de esperados significados. As costas daqueles que esperam por um objectivo palpável, arquearão com o peso da alienação factual.
É tentador soltar em corridas desnorteadas, não letras, mas palavras. Mas o desejo de dar frases a ler é mais forte ainda e, o tornar inteligível o que se produz, é como o desejo do louva-a-deus pela sua fêmea.
Dizer sem dizer nada, tudo dizendo, é brutal e asfixiante. Quero lá saber disto tudo, eu vou é com Morfeu.
sábado, outubro 11, 2008
duas e meia da manhã
Duas e meia da manhã, chego a casa, debruço-me sobre a máquina e começo a teclar.
Não sei sobre o que escrevo, mas um dia disseram-me que eu não tinha dificuldades em escrever, o que nem é mentira. O desejo de estar longe da máquina é nenhum e o sentir os dedos deslizar sobre o teclado satisfaz qualquer um. Lembro-me de algo, mas não consigo largar as teclas que se me aderem aos dedos como velcro.
A memória de algo fugidio é uma benesse para quem quer e todos em mim não queremos. Que quererá isto dizer? Não sabemos, mas continuamos nesta incompreensão de vómito contínuo de palavras. Cansam-se as teclas, mas não os dedos e o cérebro produz ainda mais incoerências, mesmo que… não sei.
Saltam palavras pelos olhos, impossibilitadas que estão de treparem aos ouvidos famintos de confissões honestas. Já não existem atalhos para solucionar o futuro e todos afundamos nas ilusões de um mundo melhor.
Passaram quatro minutos e eu não consigo parar. É um vício, escrever. Não sei o quê, para quê, nem porquê, mas adoro ver o texto crescer. É como se estivesse a pintar. Afasto-me, recuo, avanço e volto a pincelar. Termino.
Não sei sobre o que escrevo, mas um dia disseram-me que eu não tinha dificuldades em escrever, o que nem é mentira. O desejo de estar longe da máquina é nenhum e o sentir os dedos deslizar sobre o teclado satisfaz qualquer um. Lembro-me de algo, mas não consigo largar as teclas que se me aderem aos dedos como velcro.
A memória de algo fugidio é uma benesse para quem quer e todos em mim não queremos. Que quererá isto dizer? Não sabemos, mas continuamos nesta incompreensão de vómito contínuo de palavras. Cansam-se as teclas, mas não os dedos e o cérebro produz ainda mais incoerências, mesmo que… não sei.
Saltam palavras pelos olhos, impossibilitadas que estão de treparem aos ouvidos famintos de confissões honestas. Já não existem atalhos para solucionar o futuro e todos afundamos nas ilusões de um mundo melhor.
Passaram quatro minutos e eu não consigo parar. É um vício, escrever. Não sei o quê, para quê, nem porquê, mas adoro ver o texto crescer. É como se estivesse a pintar. Afasto-me, recuo, avanço e volto a pincelar. Termino.
quinta-feira, outubro 02, 2008
quem somos nós?
Supostamente, fomos criados por aquele que foi realmente criado pela sua suposta criação.
segunda-feira, setembro 29, 2008
temporariamente perdido
Sou um feixe de luz branca que atravessa o negro universo, sempre em linha recta. Neste momento bati num prisma e fui dividido nas várias cores do arco-íris. É difícil pensar assim, quando nos sentimos dispersos, inebriados com a beleza da sinfonia de cores, mesmo que estas não sejam a nossa cor. É difícil pensar assim, quando nos sentimos fragmentados no pensamento, quando este se divide em razão, emoção e sei lá quantas mais parcelas são.
Necessito tornar-me uno de novo e esse, é o caminho que estou agora a percorrer. Necessito orientar as cores e uni-las de novo em branco para continuar a travessia do belo e negro universo. Na verdade não sei se sou a luz, o universo ou ambos, mas as cores sei que não sou.
As cores são o comprazimento infantil, são o engano que nos turva a mente. Envolvem-nos na felicidade que nos impede de virar as costas e sair da caverna. Não nos deixa ver em pleno a luz, mas apenas as suas refracções.
As cores são Sísifo em pleno labor. Não nos levam a lugar nenhum. Não nos deixam seguir uma única direcção. Dão-nos várias opções que nos encantam. Perdemos toda a determinação e ficamos perdidos num mar de hipóteses sem escolha, que nos podem levar à loucura.
Necessito tornar-me uno de novo e esse, é o caminho que estou agora a percorrer. Necessito orientar as cores e uni-las de novo em branco para continuar a travessia do belo e negro universo. Na verdade não sei se sou a luz, o universo ou ambos, mas as cores sei que não sou.
As cores são o comprazimento infantil, são o engano que nos turva a mente. Envolvem-nos na felicidade que nos impede de virar as costas e sair da caverna. Não nos deixa ver em pleno a luz, mas apenas as suas refracções.
As cores são Sísifo em pleno labor. Não nos levam a lugar nenhum. Não nos deixam seguir uma única direcção. Dão-nos várias opções que nos encantam. Perdemos toda a determinação e ficamos perdidos num mar de hipóteses sem escolha, que nos podem levar à loucura.
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salad days IV
Um dia perguntaram-me se já tinha roubado alguma coisa. Fiquei calado por uns instantes e finalmente respondi: - Não sei,... não me lembro,... mas com certeza que sim.
Fui para casa com essa dúvida na mente. Como me ia encontrar de novo com a pessoa que colocou a questão, decidi nessa noite roubar um copo num bar. Depois do sucesso do acto, como se tivesse ligado um interruptor e se acendesse uma luz, lembrei-me que, durante a minha adolescência, de facto já tinha roubado algumas coisas sem expressão. Dessas, aquelas de que mais memória tenho são:
- flores, que juntamente com os meus amigos de infância roubávamos para depois as vendermos. Com o dinheiro comprávamos gelados.
- espigas de milho que, de novo com os meus amigos, assávamos e comíamos.
Coisa curiosa de que me lembro, era de não ter jeito nenhum para roubar e, por essa razão, os meus amigos punham-me sempre de vigia, quando o acto assim o exigia.
Encontrei-me de novo com a pessoa que tinha colocado a questão e disse-lhe que tinha roubado um copo que me fez lembrar outras coisas anteriormente roubadas.
Porquê o lapso de memória. Penso estar justificado no facto de ser um acto praticado tão despreocupadamente, tão cândido,… era como se a ele tivéssemos direito.
Nunca mais comi milho tão saboroso.
Fui para casa com essa dúvida na mente. Como me ia encontrar de novo com a pessoa que colocou a questão, decidi nessa noite roubar um copo num bar. Depois do sucesso do acto, como se tivesse ligado um interruptor e se acendesse uma luz, lembrei-me que, durante a minha adolescência, de facto já tinha roubado algumas coisas sem expressão. Dessas, aquelas de que mais memória tenho são:
- flores, que juntamente com os meus amigos de infância roubávamos para depois as vendermos. Com o dinheiro comprávamos gelados.
- espigas de milho que, de novo com os meus amigos, assávamos e comíamos.
Coisa curiosa de que me lembro, era de não ter jeito nenhum para roubar e, por essa razão, os meus amigos punham-me sempre de vigia, quando o acto assim o exigia.
Encontrei-me de novo com a pessoa que tinha colocado a questão e disse-lhe que tinha roubado um copo que me fez lembrar outras coisas anteriormente roubadas.
Porquê o lapso de memória. Penso estar justificado no facto de ser um acto praticado tão despreocupadamente, tão cândido,… era como se a ele tivéssemos direito.
Nunca mais comi milho tão saboroso.
domingo, setembro 28, 2008
AA disse-me:
AA disse-me:
“as pessoas para quem temos menos paciência,
as pessoas para quem temos menos tolerância,
as pessoas a quem acabamos por magoar,
são aquelas que mais amamos.”
Porquê?, perguntei eu!
“Porque são aquelas perante as quais colocamos as nossas fraquezas a nu,
são aquelas com quem nos sentimos mais à vontade, mais em segurança,
são aquelas de quem esperamos sempre a infinita compreensão.
O melhor é explicar-lhes sempre o porquê das nossas atitudes.”
“as pessoas para quem temos menos paciência,
as pessoas para quem temos menos tolerância,
as pessoas a quem acabamos por magoar,
são aquelas que mais amamos.”
Porquê?, perguntei eu!
“Porque são aquelas perante as quais colocamos as nossas fraquezas a nu,
são aquelas com quem nos sentimos mais à vontade, mais em segurança,
são aquelas de quem esperamos sempre a infinita compreensão.
O melhor é explicar-lhes sempre o porquê das nossas atitudes.”
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televisão
Vejo muito pouca televisão, muito pouca mesmo, resumindo-se praticamente às notícias da manhã, enquanto tomo o pequeno-almoço. Mas esta semana liguei a televisão enquanto jantava. Estava a dar um episódio da anatomia de Grey. Nunca tinha visto, embora já tivesse ouvido falar sobre a série. O episódio era uma espécie de resumo de todo o enredo da série, apresentado por um dos personagens e de uma forma temática. Uma das coisas que me chamou a atenção foi a referência à banda sonora. Aqui está o excerto dessa parte do episódio. Tenho pena de não saber qual era o episódio para aqui deixar o registo.
hoje fui ao teatro com I…
Hoje fui ao teatro com I… antes de entrar e ainda na rua, por causa da lei do tabaco, fomos abordados por um auto-intitulado guna.
Dizia ele que tinha chapéu porque era guna. Não duvidamos e começamos mesmo a suspeitar que o indivíduo, ligeiramente embriagado, poderia explodir a qualquer momento para uma situação por nós indesejada. Mas não!
Ele, entre as confissões da sua frustração numa situação passada com um casal de amigos do coração, recém-casados, pedia insistentemente para passarmos, depois do espectáculo, pelo café onde ele estava com os amigos, a meia dúzia de metros ao lado do teatro. Dizia que desejava ir ao teatro, mas queria saber se a peça valia a pena. I perguntava-lhe porque não ia ver a peça e ele dizia que queria saber se a peça era fixe. Dissemos-lhe que como ainda não tínhamos visto, ainda não lhe podíamos dizer nada. Ele pediu para lhe dizermos no fim, mas também dizia que já tinha perguntado a outras pessoas e todas lhe disseram que a peça não prestava.
Quando a peça acabou, saímos e vimos o Cândido, lembro-me agora de ele ter dito o seu nome, com os amigos. Pareceu-me ainda mais embriagado que anteriormente. Decidimos que o melhor era não ir ter com ele e seguimos o nosso caminho no sentido contrário.
Bom Cândido, “mentiram-te”. A peça era muito boa.
A peça é “Persona”, de Ingmar Bergman apresentada por “as boas raparigas…”, no “Estúdio 0” (mais informações em http://estudio0.blogspot.com/).
Aconselho a ver. Está em cena até ao próximo dia 2 de Novembro.
Gostei da representação das actrizes e das soluções de encenação. Achei que uma ou outra passagem de som, não estava lá muito bem conseguida, mas nada que comprometesse a peça. As luzes, não sendo o melhor da encenação, tinham momentos muito bons. A cena final e a confissão da enfermeira, foram para mim os momentos mais marcantes, cheios de força e muito bem representados.
Já os momentos menos conseguidos, foram as cenas iniciais, onde as personagens ficavam imóveis, o que me pareceu demasiado artificial, sobretudo a enfermeira pois a outra personagem era a enferma que se encontrava na cama. Ainda bem que tal situação só aconteceu uma ou duas vezes.
Dizia ele que tinha chapéu porque era guna. Não duvidamos e começamos mesmo a suspeitar que o indivíduo, ligeiramente embriagado, poderia explodir a qualquer momento para uma situação por nós indesejada. Mas não!
Ele, entre as confissões da sua frustração numa situação passada com um casal de amigos do coração, recém-casados, pedia insistentemente para passarmos, depois do espectáculo, pelo café onde ele estava com os amigos, a meia dúzia de metros ao lado do teatro. Dizia que desejava ir ao teatro, mas queria saber se a peça valia a pena. I perguntava-lhe porque não ia ver a peça e ele dizia que queria saber se a peça era fixe. Dissemos-lhe que como ainda não tínhamos visto, ainda não lhe podíamos dizer nada. Ele pediu para lhe dizermos no fim, mas também dizia que já tinha perguntado a outras pessoas e todas lhe disseram que a peça não prestava.
Quando a peça acabou, saímos e vimos o Cândido, lembro-me agora de ele ter dito o seu nome, com os amigos. Pareceu-me ainda mais embriagado que anteriormente. Decidimos que o melhor era não ir ter com ele e seguimos o nosso caminho no sentido contrário.
Bom Cândido, “mentiram-te”. A peça era muito boa.
A peça é “Persona”, de Ingmar Bergman apresentada por “as boas raparigas…”, no “Estúdio 0” (mais informações em http://estudio0.blogspot.com/).
Aconselho a ver. Está em cena até ao próximo dia 2 de Novembro.
Gostei da representação das actrizes e das soluções de encenação. Achei que uma ou outra passagem de som, não estava lá muito bem conseguida, mas nada que comprometesse a peça. As luzes, não sendo o melhor da encenação, tinham momentos muito bons. A cena final e a confissão da enfermeira, foram para mim os momentos mais marcantes, cheios de força e muito bem representados.
Já os momentos menos conseguidos, foram as cenas iniciais, onde as personagens ficavam imóveis, o que me pareceu demasiado artificial, sobretudo a enfermeira pois a outra personagem era a enferma que se encontrava na cama. Ainda bem que tal situação só aconteceu uma ou duas vezes.
sábado, setembro 20, 2008
ai!
Ai!
Vi-te e como eu desejava que sentisses o mesmo que eu. Nem sei se tal possibilidade pode existir, mas o simples facto de achar que uma declaração minha te pudesse ofender e afastar-te ainda mais do que as raras vezes que nos vê-mos…
AA disse-me que se tu te ofendesses então não valias o esforço, mas: primeiro, tenho que arranjar desculpas para me acobardar; segundo, não vejo mal em que te manifestasses pelo desagrado, pois penso que todos nós temos o direito de manifestarmos os nossos sentimentos (isto é um contra-senso, não é?).
Conheço-te mal, mas uma mulher bonita e inteligente, é sempre atraente. Cativaste-me, não pela beleza física que tens, mas pela tua inteligência e forte carácter. É verdade que conheço e me rodeiam outras mulheres atraentes como tu, mas foste tu e o meu pensamento em ti, que fechou a última ferida com que fui brindado. Podem até dizer que me abriste uma nova ferida, mas esta só jorra felicidade. Prefiro pensar que vivo, neste momento, inebriado e que este sentimento se dissolverá com o tempo, no entanto, já algo deixou. Uma ferida fechada. Só por isso vale a pena a minha embriaguês em sentimentos não recíprocos.
Bom, duvido (mas tenho a secreta esperança) que algum dia descubras quem és, mas se tal acontecer gostava que te manifestasses. Isto soa-me um pouco ridículo, mas que se dane. Soa-me também a cobardia, mas de novo que se dane. E quem disse, que algum dia lerás este texto?
Vi-te e como eu desejava que sentisses o mesmo que eu. Nem sei se tal possibilidade pode existir, mas o simples facto de achar que uma declaração minha te pudesse ofender e afastar-te ainda mais do que as raras vezes que nos vê-mos…
AA disse-me que se tu te ofendesses então não valias o esforço, mas: primeiro, tenho que arranjar desculpas para me acobardar; segundo, não vejo mal em que te manifestasses pelo desagrado, pois penso que todos nós temos o direito de manifestarmos os nossos sentimentos (isto é um contra-senso, não é?).
Conheço-te mal, mas uma mulher bonita e inteligente, é sempre atraente. Cativaste-me, não pela beleza física que tens, mas pela tua inteligência e forte carácter. É verdade que conheço e me rodeiam outras mulheres atraentes como tu, mas foste tu e o meu pensamento em ti, que fechou a última ferida com que fui brindado. Podem até dizer que me abriste uma nova ferida, mas esta só jorra felicidade. Prefiro pensar que vivo, neste momento, inebriado e que este sentimento se dissolverá com o tempo, no entanto, já algo deixou. Uma ferida fechada. Só por isso vale a pena a minha embriaguês em sentimentos não recíprocos.
Bom, duvido (mas tenho a secreta esperança) que algum dia descubras quem és, mas se tal acontecer gostava que te manifestasses. Isto soa-me um pouco ridículo, mas que se dane. Soa-me também a cobardia, mas de novo que se dane. E quem disse, que algum dia lerás este texto?
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Porto bibo – sociedade de elitização urbana
Antes de começar a escrever esta minha opinião, resolvi ir ao site do "porto vivo" procurar apartamentos. Como não obtinha resultados, fui reduzindo as especificações até não colocar qualquer preferência. Desta forma obtive 3 resultados, todos eles referentes à venda de prédios com notas de se encontrarem em mau estado de conservação.
Depois desta busca, vou passar ao motivo que me leva a escrever estas linhas.
Fui informar-me sobre a venda dos apartamentos da Praça de Carlos Alberto, mais propriamente sobre os apartamentos do "Pátio Luso" que abarca, creio que 3 edifícios, sendo um, o do conhecido café Luso e outro, o da sede de campanha do general Humberto Delgado.
Apartamentos bem desenhados, sem preocupações em aproveitar todos os espaços, mas com a preocupação de um bom desenho. Preços absurdamente inflacionados a que o meu parco salário não chega para pedir empréstimo. Queixo-me a R dizendo que não se pode ter bom gosto. R responde que poder pode-se, mas não mais do que isso. -Vê lá, diz-me R, não cries uma obsessão. Não, não crio uma obsessão, mas que vou jogar no euromilhões e nem costumo… ai lá isso vou!
No fim-de-semana passado, converso com um jovem arquitecto e fico chocado com o seu discurso. Diz-me que a cidade do Porto é para os turistas e não para as pessoas que a habitam. Estas só sabem sujar a cidade e estragar. Deveriam, a começar pelos mais velhos, de ser realojados nos subúrbios da cidade. Diz ainda da população, que são todos uns vândalos e como tal devem ser tratados. Pergunto-lhe se me considera um vândalo. Diz-me que não, mas que só quem tem dinheiro é que deve morar no centro da cidade ou seja: quem tem dinheiro para pagar uma casa inflacionada, compra, quem não tem, tal como ele próprio se descreveu, não compra e vai morar para fora da cidade. Sinto pena dele, tão novo e já com ideias tão curtas e empedernidas. Falei-lhe em educar as pessoas e ele riu-se na minha cara. De referir que momentos antes tínhamos passado pela rua da Banharia, onde uma senhora, muito simpática, com 81 anos de idade, nos abriu as portas (a um grupo de cerca de 30 pessoas que calcorreava as ruas históricas do Porto) para a visita ao pátio de acesso às habitações reabilitadas que os “velhos” moradores adquiriram e que com muito amor e dedicação mantinham asseado. Todos nós ficámos extasiados com a beleza e o aprumo do pátio, enquanto a senhora, com orgulho, ia respondendo às questões que lhe colocávamos. E ele risse na minha cara, quando lhe falo em educar as pessoas? Pobre rapaz!
Depois desta busca, vou passar ao motivo que me leva a escrever estas linhas.
Fui informar-me sobre a venda dos apartamentos da Praça de Carlos Alberto, mais propriamente sobre os apartamentos do "Pátio Luso" que abarca, creio que 3 edifícios, sendo um, o do conhecido café Luso e outro, o da sede de campanha do general Humberto Delgado.
Apartamentos bem desenhados, sem preocupações em aproveitar todos os espaços, mas com a preocupação de um bom desenho. Preços absurdamente inflacionados a que o meu parco salário não chega para pedir empréstimo. Queixo-me a R dizendo que não se pode ter bom gosto. R responde que poder pode-se, mas não mais do que isso. -Vê lá, diz-me R, não cries uma obsessão. Não, não crio uma obsessão, mas que vou jogar no euromilhões e nem costumo… ai lá isso vou!
No fim-de-semana passado, converso com um jovem arquitecto e fico chocado com o seu discurso. Diz-me que a cidade do Porto é para os turistas e não para as pessoas que a habitam. Estas só sabem sujar a cidade e estragar. Deveriam, a começar pelos mais velhos, de ser realojados nos subúrbios da cidade. Diz ainda da população, que são todos uns vândalos e como tal devem ser tratados. Pergunto-lhe se me considera um vândalo. Diz-me que não, mas que só quem tem dinheiro é que deve morar no centro da cidade ou seja: quem tem dinheiro para pagar uma casa inflacionada, compra, quem não tem, tal como ele próprio se descreveu, não compra e vai morar para fora da cidade. Sinto pena dele, tão novo e já com ideias tão curtas e empedernidas. Falei-lhe em educar as pessoas e ele riu-se na minha cara. De referir que momentos antes tínhamos passado pela rua da Banharia, onde uma senhora, muito simpática, com 81 anos de idade, nos abriu as portas (a um grupo de cerca de 30 pessoas que calcorreava as ruas históricas do Porto) para a visita ao pátio de acesso às habitações reabilitadas que os “velhos” moradores adquiriram e que com muito amor e dedicação mantinham asseado. Todos nós ficámos extasiados com a beleza e o aprumo do pátio, enquanto a senhora, com orgulho, ia respondendo às questões que lhe colocávamos. E ele risse na minha cara, quando lhe falo em educar as pessoas? Pobre rapaz!
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domingo, setembro 14, 2008
salad days III
Olho para os raios de sol que entram por entre as frestas da janela e sou levado para os meus dias felizes da infância.
Ficava esquecido, a observar no tempo pequenas partículas de pó. Elas subiam pelos raios de sol até atingirem a sombra. Agarrava-me, então, a uma nova partícula de pó e repetia a viagem.
Oh! Que felicidade quando me libertavam da sesta um minuto mais cedo para ir brincar.
E a bola, que não era de trapos, mas era de plástico. Tão leve, tão leve, que quando chutada com força, fazia trajectórias alucinantes e diminuía de velocidade de uma forma desesperadamente abrupta. Não duravam muito tempo, essas bolas, e sempre que alguém conseguia arranjar algumas moedas, íamos felizes ao “bazar dos três vinténs” ou à “casa dos plásticos”.
Adorava trepar muros e andar pelos telhados. Naquela altura julgava ser uma brincadeira normal, estes ares de acrobata, mas hoje penso serem privilégios de uma infância, por muitos, desejada.
Ficava esquecido, a observar no tempo pequenas partículas de pó. Elas subiam pelos raios de sol até atingirem a sombra. Agarrava-me, então, a uma nova partícula de pó e repetia a viagem.
Oh! Que felicidade quando me libertavam da sesta um minuto mais cedo para ir brincar.
E a bola, que não era de trapos, mas era de plástico. Tão leve, tão leve, que quando chutada com força, fazia trajectórias alucinantes e diminuía de velocidade de uma forma desesperadamente abrupta. Não duravam muito tempo, essas bolas, e sempre que alguém conseguia arranjar algumas moedas, íamos felizes ao “bazar dos três vinténs” ou à “casa dos plásticos”.
Adorava trepar muros e andar pelos telhados. Naquela altura julgava ser uma brincadeira normal, estes ares de acrobata, mas hoje penso serem privilégios de uma infância, por muitos, desejada.
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